sábado, 15 de abril de 2017

Sobre não se sentir parte de algo



Há momentos em que estamos em determinado lugar e não nos sentimos parte daquilo. Olhamos ao redor, observamos cada detalhe e sentimos que aquele não é nosso lugar. É uma sensação de estarmos presos numa bolha, sufocados entre palavras que queremos dizer e não podemos, muitas vezes, por não termos força, ou por medo de represálias. Ou ainda, por sabermos que não querem dialogar – querem impor. Seria perda de tempo e energia jogar pérolas ao vento. É o que sinto, muitas vezes, ao observar essa sociedade doente.

Quando vejo algumas figuras públicas pregando o ódio, não me assusta nem um pouco. Odiar é fácil. Sentir raiva, mais ainda. São sentimentos fáceis de serem cultivados num mundo de tanta injustiça. Essas autoridades, que vociferam contra os diferentes de sua visão de mundo, representam aquilo que está profundamente enraizado na sociedade. Elas apenas dão voz ao que milhares de pessoas pensam e acreditam. Não estão lá por mero acaso: representam o ódio gratuito que muitos camuflam com um sorriso.

A inversão de valores é tão grande que vira notícia alguém devolver uma bolsa de dinheiro, quando na verdade o certo sempre foi devolver algo que não nos pertence. A impressão que se dá é que o mundo caminha cada vez mais a uma compressão. Ficando cada vez mais compacto numa massa de ódio, alimentada diariamente por quem não está bem consigo próprio – e acredita que o maior problema é externo, quando na verdade o problema é interno e vem do coração (ou melhor, da ausência dele).

Não consigo me sentir bem nesta sociedade maniqueísta, que divide os “bons” dos “ruins”, buscando uma superioridade que não existe. Como disse, é fácil odiar, sentir raiva, destilar todo o veneno contra as pessoas. O difícil, a verdadeira luta mesmo, é se amar e amar ao diferente. É ter empatia, se colocar no lugar do outro e respeitar como ele é. É entender que cada um é único, tem sua história e suas limitações. Por que será que é tão difícil entender isso? Por que será que é tão difícil aprender a se colocar no lugar do outro?

Juliano Schiavo é escritor, jornalista e biólogo
Americana - SP


quinta-feira, 30 de março de 2017

Sobre ter paz e ter razão






É preferível ter paz a ter razão. Talvez esse pensamento, simples, pode ser a diferença entre perder o tempo discutindo com alguém (que não sabe e nem quer ouvir) ou aproveitar os momentos para movimentar o universo a nosso favor – e fazer pequenas mudanças.  Quem nunca se deparou com alguém que busca, por todas as vias, manter a razão, mesmo que isso implique em causar discórdia? E o pior: a razão que o outro tanto prega pode não ser verdadeiramente o melhor caminho, mas é o que ele acredita cegamente e quer fazer com que outros o apoiem.

Talvez uma das grandes habilidades a se desenvolver é simplesmente “concordar” com quem não tem diálogo. Concordar da boca para fora, mas em nosso interior, continuar movimentando o universo por aquilo que acreditamos. Discussões cegas só criam neblinas nas possibilidades. Paralisam ações. Criam raízes nos pés de quem discute. Imobilizam feito uma teia pegajosa em busca de um inseto desatento. Vale a pena discutir com senhores da razão? Ou vale mais a pena consentir com a cabeça, virar o corpo, e seguir o rumo fazendo o que precisa ser feito?

Num mundo de convicções como vivemos, dá-se a impressão que o diálogo, ou seja, aquela via de mão dupla, que constrói e aponta alternativas, parece uma peça de museu. Algumas pessoas têm tanta convicção no que falam, que se caírem dela, têm fratura exposta. Vale a pena dar a mão, ou melhor, os ouvidos a quem consequentemente quer te arrastar a essa queda? Por qual motivo se importar tanto em ter razão, quando a outra pessoa realmente não sabe ouvir o que você quer falar? 

Há discussões que realmente não valem a pena. Nos aprisionam, nos desgastam, nos inferiorizam, nos fazem sentir uma raiva desnecessária. Mas quem realmente permite que a água entre no barquinho de nossa vida somos nós mesmos. Com quem não quer dialogar, argumentar de nada vale. Por isso, é melhor ter paz a ter razão. Sorrie e acene. Deixe a pessoa com a convicção dela e siga adiante. Quem ganha é você.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo.
Americana - SP

quinta-feira, 9 de março de 2017

Marcas de ferradura ou sorrisos?


Tenho cá comigo que mudamos muita coisa ao nosso redor ao sorrirmos e, inclusive, ao fazer os outros sorrir. Pode parecer algo bobo, singelo, sem muito sentido. Mas como é bom ser recepcionado por alguém que traduz sentimentos em uma expressão calorosa. Que nos olha nos olhos com aquele brilho radiante e nos faz sentir próximos apenas com um leve esgar de sorriso. E como é gostoso ver que nossa presença agrada e somos benquistos.

Tenho cá comigo que isso é muito bom e que modifica o mundo ao nosso redor. Em meio a tantas coisas ruins que somos bombardeados, a medos que temos que suportar calados, a tanta intolerância que surge gratuitamente, vejo o sorriso como algo transformador. Esse é meu jeito de pensar e não quero impô-lo. Cada um é cada um e sabe de suas possibilidades. Cada pessoa sabe o que carrega dentro de si e o que pode oferecer aos outros.

E se cada um é um mar de possibilidades, não consigo entender o que algumas pessoas ganham em ser grosseiras. Em ter em suas bocas não um sorriso para acolher, mas uma frase para ferir. Usam a grosseria para se dizer autênticas. Para se impor, sem se importar a qual custo. O que estão semeando de bom com a mensagens amargas e rancorosas?

Não vejo motivo para se vangloriar pela grosseria, pelas palavras ácidas, pelo coice dado gratuitamente. Isso não é ser autêntico, ou muito menos ter uma sinceridade fora do comum. Isso recebe um nome simples: falta de educação. É não entender que as palavras machucam e que há formas de se falar algo, sem ofender ou machucar. Quem ofende gratuitamente precisa seriamente de amor próprio e uma dose cavalar de empatia. Talvez seja necessário explicar o que seja essa palavra: é se colocar no lugar do outro. É algo que o mundo precisa, urgentemente.


Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
Americana - SP


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Quais cores escolheremos?


Em tempos conturbados, com a natureza sendo devastada, com o desemprego crescente, com a violência respirando em nossos ouvidos, com o ódio que parece ser destilado gratuitamente, inclusive por pessoas públicas, o que temos feito para amenizar, ou mesmo mudar essas cores que só trazem dor e nos ferem por dentro? O que temos feito para transformar o nosso eu em algo melhor para o mundo e, inclusive, para nós mesmos?

Fico pensando nessa anestesia, que paira diante de nossos olhos e nos embrutece. Nos transforma, em processo contrário, de límpidos diamantes em rochas brutas. Será que estamos perdendo a capacidade de sonhar com um mundo melhor? Será que estamos cada vez menos utópicos, a acreditar em nosso potencial transformador?

Nos transformamos, parece, em reféns de nós mesmos. Presos a pensamentos negativos, a se estabilizar num mesmo ponto, o ponto do comodismo. Precisamos sair da zona de conforto e segurar a caneta da vida para pintar aquilo que é o essencial: colorir nosso horizonte, não para estarmos felizes, que é um estado passageiro, mas para estarmos bem – e ajudar, dentro de nossas possibilidades, a trazer outras cores ao mundo.

Somos artistas por natureza. Dentro das possibilidades de cores, escolhemos quais irão colorir nossos passos. Logo, somos pintores de possibilidades ou de resistências. De tentativas ou silenciamentos. Somos responsáveis por mudar aquilo que muda o mundo ao nosso redor: nós mesmos. Embora todos tenhamos o mesmo céu, está em nossas possibilidades usar a caneta da vida para colorir novos horizontes. Estamos pintando de qual forma nossos caminhos? Estamos trazendo cores aos outros, ou esmaecendo sonhos alheios com nossa frieza e intolerância? Em nossas mãos estão os pinceis e as tintas. Qual obra escolheremos pintar na tela da vida?




Juliano Schiavo é jornalista, biólogo e escritor
Americana - SP


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sobre mensagens não respondidas



Esses dias, esparramado no sofá (com a coluna toda torta, confesso) olhei nos aplicativos de mensagens instantâneas e vi várias notificações. Também observei que eu havia mandado mensagens e, inclusive, esperava por respostas. Nada mais natural neste mundo de conversas encaminhadas pela internet.

A questão é que, na era das conversas informatizadas, dos avisos de recebimento e de leitura de mensagens, cresce aquela sensação de “desdém virtual”. A pessoa vê a mensagem e não a responde na hora, ou sequer a responde. Não sabemos o que está acontecendo, quais situações ela vivencia, se está com uma boa conexão ou, mesmo, se ela realmente não quer responder.

Só de verificar que a pessoa está on-line, exigimos uma atenção desmedida para obter a resposta da mensagem, nem que seja um kkkk que nada quer dizer. Claro, queremos atenção. Existe um certo egocentrismo em pensar que somos a coisa mais importante que existe. A questão que fica: estamos preparados para entender que a pessoa tem o direito de não responder? De que ela não é obrigada a dar a resposta as nossas solicitações?

Eu sei. Dói o desdém virtual. Dói a pergunta não respondida. Machuca você não saber se aquilo que perguntou terá uma resposta. Gera dúvidas. Incertezas. Ansiedade. A ausência de comunicação fere e nos confunde. Queremos nos conectar de alguma forma, ter nossos anseios atendidos. Mas será que também não estamos sendo “maníacos virtuais”, exigindo atenção o tempo todo e, desta forma, vampirizando a outra pessoa com infinitas mensagens?

Quando exigimos atenção desmedida, estamos oprimindo. E ainda culpamos quem não nos responde na hora, que nos deixa no famoso “vácuo” da conversa. Eu sei, esse “vácuo” incomoda. Temos que entender que cada um é cada um e, por mais difícil que seja, não devemos projetar nossas expectativas na vida alheia e nem que os outros projetem as expectativas em nós.  Somos únicos, com direito a não querer responder solicitações. E, portanto, também não devemos exigir respostas. Cabe o bom senso de entender que, sim, muitas vezes o outro lado não quer se comunicar. O que fazer?  Simples: “aceite, que dói menos”.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo – Americana – SP




domingo, 29 de janeiro de 2017

Escritor promove bate-papo sobre publicação independente


No dia 10 de fevereiro, às 19h, o escritor Juliano Schiavo promove na Biblioteca Municipal de Americana o bate-papo “Como escrever um livro e publicar de forma independente”. A entrada é franca e, para participar, é preciso fazer uma pré-inscrição pelo e-mail bibliotecadeamericana@gmail.com, ou pelo telefone (19) 3461-9157, ou inscrição presencial na biblioteca, de segunda a sexta, das 9h às 18h.

“Minha proposta é conversar e tirar dúvidas com interessados em escrever um livro. Tenho trabalhado de forma independente na publicação de meus escritos e, neste encontro, pretendo fazer uma troca de conhecimentos. Será um bate-papo interativo”, explicou Schiavo.

Após o encontro, também haverá uma sessão de autógrafos com o escritor, que lançou, em dezembro de 2016, o livro O Balanço Vazio. Este livro tem distribuição gratuita e foi patrocinado pelo Fundo Municipal de Assistência à Cultura de Americana. 

O evento tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, por meio da Biblioteca Municipal de Americana. A biblioteca está localizada na Praça Comendador Müller, n.º 172 – Centro. Informações sobre o bate-papo pelo telefone (19) 3461-9157.

O AUTOR - Juliano Schiavo Sussi nasceu em Americana – SP no dia 22 de julho de 1987. É formado em jornalismo, com pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo. Também é biólogo e, atualmente, faz mestrado na área de Agricultura e Ambiente, na UFSCar- Araras-SP. É autor dos livros Sociedade do Lixo, O Silêncio das Mariposas, Hocus Pólen – O Feitiço da Bruxa, O Mundo Além da Ponte de Amoreira, entre outros. Mais informações no site http://julianoschiavo.wixsite.com/livros

O BALANÇO VAZIO – O livro traz uma drama, cuja história transita entre as lembranças, as reflexões e os sonhos de um professor universitário, chamado André, que se vê sem caminho a seguir. Assim, ele busca o Retiro do Silêncio, um lugar mágico, encravado na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Neste local, vão as pessoas que precisam se entender, se resolver, e aquelas que perderam tudo. Em comum, elas têm o desejo de percorrer um caminho, seja para aceitar o que lhes foi tirado ou para conquistar algo novo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Muros palpáveis e muros invisíveis












Quando o novo presidente dos EUA anunciou um muro fronteiriço com o México, não me assustei. Um muro físico nada mais é do que a materialização do muro invisível que paira bem diante de todos, como uma névoa imperceptível. É um muro feito de rancor, de preconceito e de ódio pelo diferente. É um muro que nasce, muitas vezes, no próprio lar. E é velado, surgindo apenas em momentos oportunos, como uma ferida mal cicatrizada.

Não me assusto mais com muros físicos. Eles são apenas barreiras palpáveis. O grande problema é o muro que emerge no âmago das pessoas. O muro separatista de almas, erguido com tijolos de um ódio, de uma virulência, de um gosto pela violência, não física, mas moral. Não há diferença entre o presidente dos EUA e aqueles que apoiam um tal deputado federal brasileiro, famoso por suas palavras preconceituosas e repletas de rancor – e muitas vezes usando o nome de Deus em vão para cimentar a “obra”.

Nas redes sociais, por exemplo, o que se vê é um turbilhão de ódio. Não há diálogos, discussões sadias, troca de ideias. Existe um embate tão forte, que amizades são desfeitas e o diálogo é posto de lado. Não há consensos, mas sim generalizações que nada acrescentam. É difícil não se contaminar pelo fervor das brigas virtuais, que apenas representam o que está guardado no interior de cada um.


Num mundo em que as relações afetivas se tornaram líquidas, segundo o sociólogo polonês recentemente falecido, Zygmunt Bauman, não é de se estranhar que ao invés de cultivar amizades, as pessoas se preocupam o tempo todo a estarem certas, mesmo que seus argumentos sejam vazios. O que vale não é reconhecer um erro ou voltar atrás em uma posição. Busca-se solidificar o ódio e desmantelar qualquer possibilidade de entendimento. É a máxima de que quem não pensa igual, não merece respeito igual. Triste realidade que nos permeia.

Quando me perguntam o que acho de tal muro a ser construído, apenas penso: ele sempre existiu. O verdadeiro muro não é físico. É invisível aos olhos. É uma construção passada de geração em geração, sempre buscando algo diferente para decretar: o mal reside ali e nós devemos nos unir contra ele, custe o que custar. O preço todos conhecem: tem como saldo o sangue, a dor e o medo, numa onda que só tende a se ampliar.

Em tempos de ódio, aquele que tira tijolos de seu muro separatista é o verdadeiro construtor de um mundo um pouquinho melhor. É uma batalha diária, uma obra sempre a exigir atenção para que se substitua os tijolos de rancor por bons sentimentos. A questão que fica: estamos construindo muros invisíveis de ódio ou nos permitindo criar pontes de tolerância e respeito?

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
www.julianoschiavo.wix.com/livros


Estação Cultural recebe Tarde Cultural + Sarau do Escambo


No dia 28 de janeiro, das 14 às 18h, a Estação Cultural, de Santa Bárbara d’Oeste, será palco do evento Tarde Cultural + Sarau do Escambo entre Amigos. Durante toda a tarde, de forma gratuita, haverá a participação de diversos artistas, trazendo literatura, dança, artes visuais, música, entre outras atividades de cultura e bem-estar.
O evento é promovido pelos amigos Isabela De Oliveira Ferreira , Juliano Schiavo e Lucas Red, com apoio da Fundação Romi. “Nossa proposta é reunir, num mesmo espaço, diversos artistas e pessoas interessadas em doar seus conhecimentos. É um momento de troca, em que os artistas expõem seus trabalhos e têm contato direto com o público”, explicou Schiavo.
Segundo Isabela de Oliveira, outra atividade programada para o dia é o Sarau do Escambo entre Amigos. “Esta será a 3ª edição deste projeto em que todos podem doar ou trocar livros, CDs, DVDs, entre outros objetos. É um momento muito especial em que, mais do que fazer trocas, as pessoas fazem amigos”, disse. Lucas Red também lembrou que haverá um piquenique colaborativo. “Todos estão convidados para participar”.
O Tarde Cultural + Sarau do Escambo entre Amigos é aberto ao público e ocorre na Estação Cultural, na Av. Tiradentes, 02 – Centro, Santa Bárbara d’Oeste. Informações pelo link: https://www.facebook.com/events/2204648713093858/
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO
PALCO
14h – Abertura
14h10 – Performance: Fuga - Elson de Belem
14h30 – Espetáculo Circo de Doisdo - Cia Pé De Cana (Denis Menezes)
15h30 – Sapateado - Twist Dança
15h50 – Músicas autorais – Pedro Felipe Oliveira
16h30 – Rock/Pop/MPB (acústico) - Vinicius Truffle
17h20 – Internacional e Nacional - Juliano Santtos
OFICINAS
15h – Yoga para Crianças – Taila Mires e Francisco Fiorani
15h40 – Dança Circular – Ray AnnyRogélia Silva e Celia Carvalho
16h40 – Mandalas Olhos de Deus - Ray Anny
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
15h – CIA Xekmat e a Confraria do Conto (Amauri de Oliveira)
BEM-ESTAR
17h – Reiki: Energia e Vida – Ivone Reikiana
17h – A vida no ar: a importância de saber respirar – Osvaldo Beraldo
EXPOSIÇÕES
Envolva-se – Julia CamposThainá LeguriLaryssa Luiz e Jeferson Lima
Cotidiano – Eduardo Mestriner
L'Ethnic Bijoux – Ana Rainha
A Viagem: Releitura de Boris Kosoy – Rosy Jesus Vaz
Art portrait – Marcelo Henrique
Mundo pequeno – Denis Marcorin
Animalia – Cynthia da Rocha
Olhares em PB – Val Pinheiro
Aleatório – Gabriela Nunes
FotoArte – Tatiana Sajorato
Você Não Sabe Quem Nós Somos – Aldivo Rodrigues
Trabalho com artes plásticas - Elizabete Padovezi
LITERATURA
Juliano Schiavo
Katya Forti
Leila Seleguini
Marcelo Moro
Sônia Barros
Luci Lima
Marineuza Lira
Arthur Dartcha
RODA DE CONVERSA
16h30 – O prazer feminino nos dias de hoje - Rayssa Gimenes
17h – A intolerância enquanto paradigma das relações sociais - Arthur Dartcha
PROGRAMAÇÃO SUJEITA A ALTERAÇÕES

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Uma mensagem perdida num muro


Certo dia, dirigindo, tive que mudar o trajeto e deparei-me com um muro pichado com a seguinte frase: “Ignorado por anjos, desabafei com demônios. Separei briga dos dois”. Embora esteticamente não fosse agradável ao olhar aquele picho, fiquei a matutar sobe aquela frase em minha cabeça. Não resisti: num outro dia, voltei ao lugar e a fotografei. Não vi apenas uma frase pichada, mas sim uma certa sabedoria ali, estampada por tinta preta e evidenciada em letras garrafais. Há sabedoria em muitos muros pichados, basta saber perceber as mensagens escondidas.

E aquela mensagem, que me fez refletir, representa o espírito desta época. Sintetiza um dos grandes problemas que assolam a humanidade: a ausência de diálogo. Não sei até qual ponto anjos e diabos dialogam ou não. Confesso que pouco me interessa esse debate. Mas a frase me fez pensar: até que ponto os desafetos ocorrem por conta da ausência de um diálogo sincero? Por que as pessoas têm preferido embates a ter conversas francas, em que é possível chegar a um acordo, ou mesmo evitar uma briga que só desgasta ambos lados?

Vivemos tempos em que se tem a impressão que todos querem falar e não desejam nada ouvir. Vivem com a razão, sem sequer ouvir o outro lado, entender a história por traz dos fatos, praticar aquilo que se chama empatia: se colocar no lugar do outro e entender que todos nós temos nossas limitações, pois somos humanos. Acreditamos que o nosso problema é o maior do universo – sem sequer olhar para o lado e ver que, enquanto muitas vezes temos um teto para dormir, o outro sequer tem o que comer.

Num mundo de embates, cada vez mais ferrenhos, aquele que sabe ouvir e entender o outro, se colocar em seu lugar e compreender as limitações, consegue uma grande proeza: se distanciar de um maniqueísmo que só prejudica e, ainda por cima, fere almas e corações. Por isso, precisamos de mais empatia. Precisamos de diálogos. Precisamos entender que ter razão, muitas vezes, não significa estar bem. Afinal, por que ter embates se podemos resolver tudo num simples diálogo? Tempos estranhos esses em que vivemos...

Juliano Schiavo, jornalista, escritor e biólogo



sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Tarde cultural contará com lançamento do livro O Balanço Vazio

Durante evento, aberto ao público, o escritor Juliano Schiavo lança livro com temática existencialista


Com uma escrita intimista, o escritor Juliano Schiavo, lança seu livro O Balanço Vazio. O lançamento ocorrerá no CCL (Centro de Cultura e Lazer) de Americana, no dia 17 de dezembro, das 16h às 20h, sendo aberto a todos os interessados. O CCL está localizado na Av. Brasil, 1293 - Parque Res. Nardini.

O livro tem distribuição gratuita é patrocinado pelo Fundo Municipal de Assistência à Cultura de Americana-SP. A história transita entre as lembranças, as reflexões e os sonhos de um professor universitário, chamado André, que se vê sem caminho a seguir. Assim, ele busca o Retiro do Silêncio, um lugar mágico, encravado na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Neste local, vão as pessoas que precisam se entender, se resolver, e aquelas que perderam tudo. Em comum, elas têm o desejo de percorrer um caminho, seja para aceitar o que lhes foi tirado ou para conquistar algo novo.

“A história tem caráter existencial, sendo que cada personagem tem um conflito: uma pessoa que deixou de se amar, um pai que perdeu a filha, uma mãe que não ama o filho, uma mulher que não pode conceber uma criança, entre outras situações. Trata-se de uma obra introspectiva, em que convido o leitor a mergulhar no mundo de cada personagem e refletir sobre a vida”, explica Schiavo.

O livro pode ainda ser baixado no site http://julianoschiavo.wixsite.com/livros. Os interessados em mais informações podem entrar em contato com o autor pelo e-mail jssjuliano@yahoo.com.br. Durante a tarde de autógrafos, serão recolhidos produtos de limpeza e ração de cachorro e gato, que serão doados para a ONG Animais Têm Voz.

PROGRAMAÇÃO CULTURAL – Durante o evento, ocorre no auditório do CCL apresentações do cantor Matheus Bars, com músicas internacionais e sertanejo e da dupla Ana e Rodrigo, com MPB e pop rock. Haverá ainda oficinas de ponto cruz, com Isabela de Oliveira; Mandalas, com Ray Anny; Olhos da Gruta – encanto do encontro, com Angela M. Tavares, além das performances: Yoyo, com Lucas Red; e Assim caminha a humanidade, com Aline Nêmesis.

Os escritores Elaine Maldonado, Marineuza Lira, Eder Modanez, Angela Maria Tavares, Lucas M. Furlan, Henrique Inglez de Souza e Katya Forti estarão presentes com suas obras literárias. Também haverá as exposições: Mandalas e pintura em pedras, de Ray Anny; Abstrações, de Aldivo Rodrigues; Quadrinhos Gigantes, de Eder Modanez; Inconsciente, de Eduardo Mestriner; Envolva-se, de Júlia Campos, Thaina Leguri, Laryssa Luiz e Jeferson Lima; e Olhos da Gruta, de Angela M. Tavares. Toda a programação é aberta ao público e conta com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Americana.

O AUTOR - Juliano Schiavo Sussi nasceu em Americana – SP no dia 22 de julho de 1987. É formado em jornalismo, com pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo. Também é biólogo e, atualmente, faz mestrado na área de Agricultura e Ambiente, na UFSCar- Araras-SP. É autor dos livros Sociedade do Lixo, O Silêncio das Mariposas, Hocus Pólen – O Feitiço da Bruxa, O Mundo Além da Ponte de Amoreira, entre outros. Mais informações no site http://julianoschiavo.wixsite.com/livros

SERVIÇO
Lançamento do livro O Balanço Vazio e tarde cultural
Autor: Juliano Schiavo
Sábado, 17 de dezembro, das 16h às 20h
CCL (Centro de Cultura e Lazer de Americana)
Av. Brasil, 1293 - Parque Res. Nardini – Americana – SP

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Sobre sementes de carrapicho e amores-perfeitos


 

Sementes de carrapicho não fazem florescer amores-perfeitos. Tenho ciência disso. E é o que acredito: cada um é aquilo que pode oferecer. Nem mais, nem menos. Mas afinal, estamos oferecendo o nosso melhor, para tornar o nosso ambiente mais agradável? O que temos feito para evitar que carrapichos nasçam em nosso jardim? Estamos escolhendo as sementes corretas, ou semeando a esmo qualquer semente que surge em nossas mãos?

Quando queremos transformar nosso mundo, o primeiro passo é nos transformarmos. Quer atrair sorrisos: sorria. Leve sua luz onde há tristeza. Traga palavras de conforto, quando assim for preciso. Ofereça um abraço, quando perceber que ele é o mais necessário tipo de apoio. Somos aquilo que podemos oferecer. Nem mais, nem menos.

Às vezes, o que mais precisamos é de ter alguém disposto a nos ouvir realmente. A se colocar em nossos lugares e buscar, com o coração, entender que todos nós temos nossas possibilidades e limitações. E acima de tudo, respeitar-nos por quem somos. É o mínimo a se fazer. É algo que faz o ser humano se diferenciar das outras espécies.

Não são os títulos de doutor, de nobreza, ou qualquer outro título que definem quem realmente somos. Não é o dinheiro, a última versão do celular, nem o carro do ano que refletem nosso caráter. Quem se utiliza desses anteparos para ser grosseiro com o outro, é digno de pena. Pessoas assim não conseguem estar bem consigo próprias e, dessa forma, fazem o que sabem fazer de melhor: semeiam carrapichos.

Quem quer ter flores no jardim, deve semear as sementes corretas e cultivá-las. Deve entender que, cada planta, tem suas limitações e possibilidades. E, frente a isso, ficam duas questões para refletir: 1) estamos dispostos a entender as limitações e respeitá-las? 2) realmente queremos estender nossas mãos (dentro de nossos limites) e ajudar para que alcançem as possibilidades? É algo a se pensar.


Juliano Schiavo é jornalista, biólogo e escritor
Americana – SP

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Depressão: o abismo a ser vencido



Então você acorda e não tem perspectivas. É um vazio assombroso que envolve e sufoca, num abraço anestesiado, sem nenhum pingo de calor. Seu olhar, muitas vezes cheio de lágrimas, fica perdido a esmo. Você não sente mais fome. Não sente vontade alguma de levantar: deseja se apagar, eternamente. É como se uma nuvem escura pairasse adiante e tudo estivesse sem sentido.

E quando você se dá conta, o corpo existe, mas a essência está desvalida. O mundo, que antes tinha tantas formas e cores, está desvanecido. E você se culpa por ter morrido em vida. Uma culpa que cresce e te abocanha, sem pena. Machuca. Enfraquece ainda mais a luta para tentar sobreviver. Está decretado: você pisou no grande abismo da depressão.

Então você ouve aquela voz interior: desista, dê um fim a isso, você não merece viver. E essa voz ecoa. Atormenta. Segue você por todos os cantos. E doí, principalmente, ao se olhar no espelho e se ver completamente sem forças para continuar. Dói ainda mais, quando as pessoas jogam em sua cara que “você tem tudo para ser feliz, não sei por que não reage”. Enfim, isso é apenas uma mera descrição daquilo denominado depressão. E só quem cai neste abismo sabe a sensação de viver uma vida sem sentido, apática.

Mas o que fazer para enfrentar essa doença silenciosa? Talvez o grande passo seja entender que somos falíveis. Somos humanos, cheios de incertezas, medos, imperfeições, e de dores que só nós sabemos quais são. É preciso entender que nos cobramos muito e a todo momento para “sermos felizes e perfeitos”, fazendo disso uma imposição para a vida.

Vale lembrar que não é o dinheiro que nos preenchem, mas sim os laços de amizade. É preciso entender que ter depressão não é escolha. Mas é possível vencê-la. Mesmo sem nenhuma vontade, é preciso se preencher com coisas que fazem bem: lutar contra as vibrações negativas, procurar ajuda especializada, fazer um trabalho voluntário, retomar a fé, entre outros. Não é fácil. Mas o que não se deve fazer é se entregar. A vida é um imenso aprendizado e a depressão, mesmo sendo algo ruim, pode nos mostrar o quanto somos humanos e temos muito a aprender.  

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
Americana – SP





terça-feira, 8 de novembro de 2016

Participando do Prêmio Kindle


Meu livro "O Mundo Além da Ponte de Amoreira" (capa acima) está inscrito no Prêmio Kindle, da Amazon. Caso tenha interesse, o livro pode ser acessado clicando aqui. Quer me ajudar? Comente o livro, dê uma pontuação. Compartilhe essa página. Obrigado


Resumo:  Após perder o pai, Lucas regressa a sua antiga morada em busca de respostas. Assim, ele mergulha novamente em sua infância, revivendo as alegrias, as dores e toda a inocência que lhe foi tirada pelo peso da maturidade. Inspirada num universo fantástico, O Mundo Além da Ponte de Amoreira é uma história delicada e envolvente, que leva o leitor a uma tocante reflexão sobre as inquietudes da infância que se sufocam com o mundo adulto.

sábado, 15 de outubro de 2016

A inércia que nos habita


O ano era 1964. A cidade, Nova York. Poderia ser 2016, em qualquer cidade. Uma moça, chamada Catherine Susan Genovese, mais conhecida como Kitty Genovese, estacionou o carro e seguiu em direção ao apartamento. Então, foi esfaqueada. Gritou. Pediu por socorro. Eram 3h da manhã e mais de 30 vizinhos vieram às janelas em resposta aos gritos de Kitty. Ficaram ali por cerca de meia hora, tempo em que o assassino completou o trabalho e matou a moça. Ninguém nada fez.

A morte de Kitty, conhecida como “efeito Genovese”, ou “difusão de responsabilidade”, diz que, quanto mais expectadores envolvidos, aumenta-se a chance de ninguém fazer nada. Ou seja: quando alguém está em perigo, quanto mais testemunhas, menor a probabilidade de alguém ajudar. A responsabilidade se dilui conforme mais pessoas “participam” como expectadores.

E isso é algo que assusta. Sempre esperamos que os outros tomem partido para melhorar uma situação. E ficamos reféns da inércia que paira. Na ânsia que alguém resolva os problemas surgidos, ficamos estáticos. O problema é que o outro também pode agir da mesma forma. É um efeito cascata, em que todos querem uma resolução, mas são pouquíssimos que encaram o dilema.

Cada vez mais entregues ao “esperar que alguém faça algo por nós”, ficamos enraizados no lugar. Esperamos por salvadores, por pessoas que façam acontecer. E nos sufocamos em nossas expectativas. Cada vez mais ansiosos e esperançosos, aguardamos resoluções que poderiam vir de nós mesmos, mas que, erroneamente (comodamente?), depositamos nas costas de alguém – que, muitas vezes, nem sequer imaginamos quem seja.

A reflexão que fica: quantas Kitty Genovese vamos esperar morrer para que, então, tomemos alguma atitude? Quantos problemas que nos atingem diretamente vamos deixar para que outros resolvam? Quando vamos entender que, muitas das questões que não são resolvidas, são decorrentes da inércia que nos habita? É algo a se pensar.


Juliano Schiavo é jornalista, biólogo e escritor
Americana – SP