Hoje eu mereço coisas boas para mim





Hoje eu desejo coisas boas para mim, pois tenho, infelizmente, me esquecido disso. Quero desejar que eu me reconheça como a única pessoa responsável pelas minhas decisões, para que eu não me vitimize e me entregue a fugas que não devo me permitir. Afinal, mereço estar bem; para tanto, não posso fugir das minhas próprias responsabilidades. Que eu tenha coragem de enfrentar meus medos imaginários e lembrar da força que esqueço ter.

Que eu consiga diferenciar quando estou verdadeiramente do meu lado, fazendo o melhor por mim, dos momentos em que me autossaboto com receio de me entregar a sonhos que sempre sonhei, mas tive receio de segui-los. Que o medo não seja minha muleta; que a coragem seja o trampolim que tire meus pés do chão e me faça ir para mais longe do abismo da desconfiança no meu próprio eu.

Que eu me permita ser ruim em coisas novas e que eu não veja somente meus erros e fraquezas, mas que eu possa compreender a minha pequenez diante da imensidão das possibilidades inexploradas. E, com essa compreensão, eu possa sorrir e ter orgulho das minhas tentativas de melhorar o que em mim não está lapidado.

Que eu tenha a sabedoria para diferenciar o que eu posso mudar daquilo que devo aceitar; e, sabendo essa diferença, que eu me sustente diante das adversidades, priorizando o que é o melhor para mim, mesmo que sejam decisões que momentaneamente me machuquem, mas que são necessárias para serem tomadas e me libertar do sofrimento.

Que eu aprenda a ter leveza no dia a dia para que não me vergue diante de situações que não mereçam minha energia; que possa resgatar a criança interior que soterrei com a seriedade desnecessária e fazê-la voltar a contemplar as coisas pequenas da vida e, assim, sorrir sem medo.

Que eu saiba diferenciar e valorizar quem está comigo, ao meu lado, e vibra pela minha felicidade, de quem se aproxima pelo oportunismo ou pela minha vulnerabilidade para me colocar de lado no momento em que eu não for mais útil.

Que eu saiba reconhecer e festejar minhas pequenas vitórias diárias, sem me diminuir para caber nas expectativas alheias ou me autossabotar, por erroneamente acreditar que eu não mereça estar bem.

Hoje eu desejo coisas boas para mim. Que assim seja.


Juliano Schiavo é professor e escritor. É autor do livro O Menino que Semeava Histórias.

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