terça-feira, 8 de agosto de 2017

Sobre as formas de se dizer algo


Se as vírgulas podem mudar o sentido de uma frase, imagine então o poder das palavras. E por mais que estas não sejam feitas de matéria física, elas têm uma força e tanto. Podem nos alegrar, entristecer, enraivecer, nos convencer. Elas dão formas ao nosso modo de pensar e ajudam a traduzir nossas ideias e visões. Palavras ao vento podem se transformar em tufões ou em brisas. Depende apenas da forma que são proferidas.

Nesses encontros e desencontros que é a vida, é comum esbarrarmos com as mais diferentes pessoas. E confesso: admiro aquelas que sabem usar as palavras de uma forma que dizem tudo o que querem, da forma mais honesta possível, sem ofender. Sem medo, dizem o que pensam, mesmo que seja oposto ao que pensamos. Mas dá gostou ouvir, pois elas sabem falar, de forma a não te ofender por pensar diferente. Pessoas assim, admiro. Elas se posicionam e não ficam em muros.

Confesso também que tenho certo pé atrás com aqueles que querem se passar por autênticos e, para tanto, usam as palavras da forma que bem entendem. Não se preocupam com o teor da mensagem. Apenas querem se posicionar, mostrar que “não tem medo de dizer o que pensam”. Eu vejo de outra forma: elas simplesmente são grossas. E o pior: parecem sentir orgulho de serem pessoas sem um pingo de educação e sentem prazer em “humilhar” o ouvinte.

Ser autêntico não significa ser grosseiro. Existem as mais diferentes formas de se falar algo, sem machucar o outro com palavras. Autenticidade não é sinônimo de grosseria. Mas grosseria é sinônimo de burrice: de não entender que a forma como se fala pode magoar, desnecessariamente. Quem vive com pedras na mão é quem não sabe se amar e se aceitar. Pode dizer que se ama, mas é da boca para fora. Quem se ama verdadeiramente, não precisa humilhar os outros para se sentir bem.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo

Americana – SP.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Grafites, velas e tsurus


O que antes era um muro cheio de cor, obra grafitada pelo artista americanense Leonardo Smania, hoje é um muro opaco. De uma arte repleta de significados, estampando uma mulher negra, sorrindo, sobraram apenas memórias e registros fotográficos.

Mesmo atrasado ao manifesto marcado nesta terça (11/07), às 19h, levei, junto de minha mãe, uma dobradura diante do muro. Lá, ardiam velas como forma de protesto pelo apagamento do grafite. Deixamos ali, um tsuru, que representa, segundo as lendas japonesas, uma ave símbolo da boa sorte, felicidade e longevidade. No caso do grafite que ali residia, uma longevidade que não existiu. A arte retratada naquele muro, de uma mulher negra, estudante da APAE, foi efêmera demais.

A arte, tal como as velas, é uma fagulha da criatividade humana. Ilumina os caminhos, pois busca, no fundo de cada um, a essência. A arte, assim como a calor das velas muito próximo da pele, incomoda, pois é de sua natureza incomodar. A arte serve para mostrar, propor, cutucar, fazer refletir. A arte é assim. A arte incomoda. A arte é um tapa na cara. Ela permite pensar além do nosso mundo tão reduzido. Ela é uma troca.

Talvez por incomodar demais, a arte que ali residia teve um fim tão rápido. Repousa sobre uma camada de tinta creme. Não teve a longevidade de um tsuru, mas sim a rapidez de uma vela a queimar. O que fica de tudo isso? A certeza de que trazer cores, num mundo cada vez mais cinza, é uma luta. Mas não devemos jamais desistir.

Enquanto uns cortam flores, há os que plantam sementes. E fazem isso muito bem. É preciso, sempre, semear. Para que um dia – mesmo que efêmeras – as flores possam fazer alguém ser tocado de uma maneira que, sem essas cores, jamais seria tocado. Que a arte continue viva e que os artistas jamais deixem a esperança ser perdida, mesmo diante da falta de apoio que existe. Que o coração e alma falem mais alto do que racionalidade fria daqueles que só querem apagar as “cores” de todas as expressões artísticas.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo

sábado, 8 de julho de 2017

Odiar é fácil



Odiar é fácil. Trata-se de um sentimento que parece estar no âmago humano, tamanha facilidade de surgir. Odeia-se o que que não se compreende, o diferente, aquilo que não agrada. Este sentimento parece caminhar conosco. Talvez isso explique o motivo do mundo ser como é. O ódio é gratuito: é uma violência direcionada àquilo que não nos convém.

O discurso de ódio cativa, pois ele cria inimigos a serem combatidos. Ele edifica um sistema maniqueísta e de fácil entendimento, pois ele divide tudo em apenas duas opções: bem ou mal. O ódio reduz tudo a opções fáceis de serem entendidas, assimiladas e possibilita escolhas rápidas: está comigo, ou não está; sim ou não; azul ou vermelho. O ódio é, por natureza, reducionista. E por ter uma natureza tão pequena, faz com que quem o cultive se torne parte do que ele é. Somos aquilo que fazemos e sentimos. Portanto, sentir ódio nos torna odiosos.

Amar, pelo contrário, é o sentimento mais difícil de gestar. Amar implica em ser tolerante. Em entender que o mundo não se divide apenas em bem e mal. O mundo é uma soma: nem tudo que é mal, é mal em tudo. O amor permite ver gradações nas cores. Ele permite o talvez. Amar permite entender que todos nós somos limitados, diferentes e com formas únicas de ser. Amar permite o respeito e o afeto. Amar é difícil, pois nos força a pensar e a se colocar no lugar do outro. Amar é um esforço de ter empatia.

Por isso, quando me perguntam qual o meu palpite para os rumos de nossa sociedade – e observando a facilidade com que o discurso de ódio se alastra – eu me assusto. Me amedronto com a facilidade com que as ideias intolerantes são abraçadas. Torço, ainda, para que as pessoas se permitam ir além do ódio e tentem se colocar no lugar do outro, pois falta empatia. Será que o ódio vencerá?

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo

Americana - SP

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O “lado bom” de estar desempregado



Sou parte de um contingente formado por cerca de 14 milhões de pessoas. Um número que representa uma parcela significativa de um País que esteve sempre em crise: econômica, política e moral. Sou parte de uma sociedade de desempregados, que tenta se encaixar. Mais do que isso: tentamos se sentir com alguma função social. Confesso: está difícil.

Não entrando na questão da usurpação dos direitos trabalhistas que fomos vítimas, trago aqui uma pequena reflexão sobre o “lado bom” de estar desempregado. Fiquei um tempo pensativo, pois tempo é o que mais temos quando estamos sem patrão.

Estar desempregado me ensinou várias formas de cadastrar um currículo. São sites diferentes, para preencher os mesmos dados. E quando o site trava na metade preenchimento? É a forma de aprendermos a ter perseverança, pois somos brasileiros e não desistimos.  Também aprendi que as dinâmicas das empresas só cobram para que sejamos bons nas dinâmicas – e não necessariamente bons profissionais.

Percebi que o mercado de trabalho é bipolar. As empresas querem dar espaço aos estagiários, desde que eles já tenham ampla experiência. Querem também profissionais especializados, porém quanto mais títulos, menos chances de ser contratado por ser um profissional muito qualificado – e assim, ter que pagar maior salário.

Ficamos, inclusive, experts em participar de concursos públicos – mesmo sabendo que são cadastro de reserva, os quais não chamarão ninguém e servem apenas para angariar fundos com as inscrições. Mas tentamos tudo, não é?

Estar desempregado me ensinou que a crise é brava. Que ter diploma não é garantia de emprego. E que as únicas coisas que fazem que continuemos a caminhada são as pessoas que estão ao nosso lado e a fé que as coisas vão melhorar. Pois bem, continuemos tentando.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
Americana - SP

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Os vampiros da vida real




Neste mundo de caminhos que se perdem e se cruzam, nada mais natural do que conhecermos pessoas que são passageiras. Surgem em nossas vidas feito lufadas de ar e, tal qual o aparecimento, desaparecem. Seguem o fluxo delas, caminham em lados opostos, se tornam meras lembranças.

E isso se evidencia neste mundo com novas conformações. Muitos, por exemplo, têm uma vida pendular: estudam numa cidade, moram em outra, trabalham numa terceira. Estão sempre em trânsito, conhecendo novas pessoas e cruzando caminhos. São pessoas que surgem em nossas vidas (por acaso ou destino) e nos mudam de alguma forma. Seja para vermos nossos maiores defeitos ou partilharmos momentos. Mas cada um, a sua maneira, com seu jeito de ver o mundo, nos conecta a novas experiências.

Porém, há pessoas que não querem entender que existem aquelas que são passageiras. Que surgiram por algum motivo, mas que decidiram, pelas circunstâncias, ou mera vontade, não ter mais contato. Existem pessoas que, por uma obsessão doentia, com o auxílio das redes sociais, continuam a vampirizar aquele que não quer mais partilhar momentos. Insistem na ideia de querer se aproximar, quando não existe mais história a ser partilhada: a vida seguiu seu curso.

É preciso entender que a outra pessoa simplesmente não quer mais contato. É um direito dela. Ela quer seguir com a vida. Não que tudo o que tenha acontecido não a tenha marcado. A questão é que não faz mais parte do presente dela. É preciso respeitar decisões. Pessoas não são posses. E por mais queridas que elas nos sejam, não temos o direito de nos apropriar delas. Elas têm o direito de se afastar. E cada um tem o dever de respeitar decisões pessoais, mesmo que sejam doloridas. O melhor remédio? O tempo, a reflexão e o respeito às decisões alheias.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo

Americana - SP

terça-feira, 6 de junho de 2017

Não deu certo



Quando me deparei com a notícia de que estudantes da Instituição Evangélica de Novo Hamburgo-RS, promoveram a festa temática “Se nada der certo”, pensei que era brincadeira. Muitos dos jovens estavam fantasiados de faxineiro, mecânico, vendedores de lojas, ambulantes e outras profissões que, na ótica dos alunos, seria a última saída na vida de alguém em que nada deu certo.

Fiquei um tempo refletindo. Primeiro, por saber que aqueles jovens, a quem muitos xingaram de vagabundos, burguesinhos, e uma série de adjetivos que não posso aqui escrever, apenas refletiam o pensamento enraizado em nossa cultura. Eles, de certa forma, apenas repetiram o que sempre ouviram, mesmo sem entender o que significava.

Vivemos numa sociedade de castas invisíveis, que enxerga as pessoas sob este prisma: quem deu certo e quem não deu. Quem se enquadra e quem é diferente. Quem merece respeito e quem deve ser invisível. Somos frutos desta sociedade doente, que sempre busca tipificar, categorizar e rotular as pessoas como objetos. Uma sociedade que não vê o valor do caráter, mas o preço da individualidade e do seu padrão aceitável.

Também fiquei abismado por esta “festa” ter ocorrido numa escola. E o pior: numa instituição ligada à religião. A nota de esclarecimento da instituição: “Atividades como essa auxiliam na sensibilização dos alunos quanto a conscientização da importância de pensar alternativas no caso de não sucesso no vestibular”. Sensibilizar em prol do preconceito? Seria isso?

Fico com receio de como as coisas estão caminhando. Os valores do respeito, da empatia, do entender o próximo se perderam em discursos discriminatórios, em palavras de ódio, em segregações que se apoiam em preconceitos. Qual o preço que pagaremos por continuarmos a insistir em pensamentos preconceituosos de quem dá e quem não dá certo? Uma sociedade assim, com certeza, não deu.


Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo

Americana - SP

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Indignai-vos! E vamos agir



Nestes tempos conturbados, que são de um fluxo que parece não cessar, fico me perguntando como se desdobrarão os caminhos. Vivemos uma crise que extrapola a financeira: é moral e parece estar enraizada, de tal forma, como uma erva daninha que cortamos as folhas, mas ela mantém os tubérculos esperando as condições para brotar.  Até quando permitiremos isso?

Li há algum tempo li um manifesto chamado Indignai-vos, escrito pelo alemão Stéphane Hessel. Neste texto, ele conclamava todos a se indignarem contra uma série de acontecimentos que afetavam as liberdades individuais e a democracia. Para Hessel, na indignação reside a luta ou a resistência contra sistemas opressores.

Mais do que se indignar, acho que não podemos simplesmente deixar de movimentar o universo. Passo após passo, devemos fazer o nosso melhor para tentar modificar pequenas ações que, amplificadas, tornam nosso País reduto de ódio, corrupção e falta de perspectiva. E como podemos fazer mudanças? Talvez elas estejam em nossas mãos, esperando apenas uma corrente do bem se iniciar.

E quando falo nessa corrente, me refiro a ter mais respeito com a vida alheia. É preciso entender que nem todos tiveram a mesma oportunidade e, felizmente, são diferentes na forma de pensar. Para muitos de nós, falta uma dose cavalar de empatia, falta se colocar no lugar do outro. Falta estender as mãos em pequenas atitudes: não jogar lixo no chão, não estacionar em lugares inapropriados, não ficar com o troco dado errado, enfim, pequenas ações, mas que ecoam de uma forma negativa. Permita-se ser corrupto e não poderá cobrar retidão dos outros.

Sinto falta do senso de comunidade, de união. Estamos cada vez mais fragmentados por essa sociedade doente, que só pensa no eu, no lucro acima de tudo. Cadê o nós? Cadê a doação de cada um para transformar esta onda nefasta em algo melhor? Já paramos para pensar que estamos o tempo todo atirando pedras, mas nos esquecemos que podemos ser nós mesmos os maiores hipócritas?

É tempo de se indignar. É tempo de agir e mudar atitudes. É tempo de se colocar no lugar do outro e fazer o melhor para mudar essa realidade que está fazendo nossas perspectivas ruírem. Não merecemos um mundo desfragmento. É hora de construir algo melhor, mesmo que em pequenos passos. Qual será nossa ação diária para isso?

Juliano Schiavo é jornalista, escritor, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente

Americana - SP

sábado, 15 de abril de 2017

Sobre não se sentir parte de algo



Há momentos em que estamos em determinado lugar e não nos sentimos parte daquilo. Olhamos ao redor, observamos cada detalhe e sentimos que aquele não é nosso lugar. É uma sensação de estarmos presos numa bolha, sufocados entre palavras que queremos dizer e não podemos, muitas vezes, por não termos força, ou por medo de represálias. Ou ainda, por sabermos que não querem dialogar – querem impor. Seria perda de tempo e energia jogar pérolas ao vento. É o que sinto, muitas vezes, ao observar essa sociedade doente.

Quando vejo algumas figuras públicas pregando o ódio, não me assusta nem um pouco. Odiar é fácil. Sentir raiva, mais ainda. São sentimentos fáceis de serem cultivados num mundo de tanta injustiça. Essas autoridades, que vociferam contra os diferentes de sua visão de mundo, representam aquilo que está profundamente enraizado na sociedade. Elas apenas dão voz ao que milhares de pessoas pensam e acreditam. Não estão lá por mero acaso: representam o ódio gratuito que muitos camuflam com um sorriso.

A inversão de valores é tão grande que vira notícia alguém devolver uma bolsa de dinheiro, quando na verdade o certo sempre foi devolver algo que não nos pertence. A impressão que se dá é que o mundo caminha cada vez mais a uma compressão. Ficando cada vez mais compacto numa massa de ódio, alimentada diariamente por quem não está bem consigo próprio – e acredita que o maior problema é externo, quando na verdade o problema é interno e vem do coração (ou melhor, da ausência dele).

Não consigo me sentir bem nesta sociedade maniqueísta, que divide os “bons” dos “ruins”, buscando uma superioridade que não existe. Como disse, é fácil odiar, sentir raiva, destilar todo o veneno contra as pessoas. O difícil, a verdadeira luta mesmo, é se amar e amar ao diferente. É ter empatia, se colocar no lugar do outro e respeitar como ele é. É entender que cada um é único, tem sua história e suas limitações. Por que será que é tão difícil entender isso? Por que será que é tão difícil aprender a se colocar no lugar do outro?

Juliano Schiavo é escritor, jornalista e biólogo
Americana - SP


quinta-feira, 30 de março de 2017

Sobre ter paz e ter razão






É preferível ter paz a ter razão. Talvez esse pensamento, simples, pode ser a diferença entre perder o tempo discutindo com alguém (que não sabe e nem quer ouvir) ou aproveitar os momentos para movimentar o universo a nosso favor – e fazer pequenas mudanças.  Quem nunca se deparou com alguém que busca, por todas as vias, manter a razão, mesmo que isso implique em causar discórdia? E o pior: a razão que o outro tanto prega pode não ser verdadeiramente o melhor caminho, mas é o que ele acredita cegamente e quer fazer com que outros o apoiem.

Talvez uma das grandes habilidades a se desenvolver é simplesmente “concordar” com quem não tem diálogo. Concordar da boca para fora, mas em nosso interior, continuar movimentando o universo por aquilo que acreditamos. Discussões cegas só criam neblinas nas possibilidades. Paralisam ações. Criam raízes nos pés de quem discute. Imobilizam feito uma teia pegajosa em busca de um inseto desatento. Vale a pena discutir com senhores da razão? Ou vale mais a pena consentir com a cabeça, virar o corpo, e seguir o rumo fazendo o que precisa ser feito?

Num mundo de convicções como vivemos, dá-se a impressão que o diálogo, ou seja, aquela via de mão dupla, que constrói e aponta alternativas, parece uma peça de museu. Algumas pessoas têm tanta convicção no que falam, que se caírem dela, têm fratura exposta. Vale a pena dar a mão, ou melhor, os ouvidos a quem consequentemente quer te arrastar a essa queda? Por qual motivo se importar tanto em ter razão, quando a outra pessoa realmente não sabe ouvir o que você quer falar? 

Há discussões que realmente não valem a pena. Nos aprisionam, nos desgastam, nos inferiorizam, nos fazem sentir uma raiva desnecessária. Mas quem realmente permite que a água entre no barquinho de nossa vida somos nós mesmos. Com quem não quer dialogar, argumentar de nada vale. Por isso, é melhor ter paz a ter razão. Sorrie e acene. Deixe a pessoa com a convicção dela e siga adiante. Quem ganha é você.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo.
Americana - SP

quinta-feira, 9 de março de 2017

Marcas de ferradura ou sorrisos?


Tenho cá comigo que mudamos muita coisa ao nosso redor ao sorrirmos e, inclusive, ao fazer os outros sorrir. Pode parecer algo bobo, singelo, sem muito sentido. Mas como é bom ser recepcionado por alguém que traduz sentimentos em uma expressão calorosa. Que nos olha nos olhos com aquele brilho radiante e nos faz sentir próximos apenas com um leve esgar de sorriso. E como é gostoso ver que nossa presença agrada e somos benquistos.

Tenho cá comigo que isso é muito bom e que modifica o mundo ao nosso redor. Em meio a tantas coisas ruins que somos bombardeados, a medos que temos que suportar calados, a tanta intolerância que surge gratuitamente, vejo o sorriso como algo transformador. Esse é meu jeito de pensar e não quero impô-lo. Cada um é cada um e sabe de suas possibilidades. Cada pessoa sabe o que carrega dentro de si e o que pode oferecer aos outros.

E se cada um é um mar de possibilidades, não consigo entender o que algumas pessoas ganham em ser grosseiras. Em ter em suas bocas não um sorriso para acolher, mas uma frase para ferir. Usam a grosseria para se dizer autênticas. Para se impor, sem se importar a qual custo. O que estão semeando de bom com a mensagens amargas e rancorosas?

Não vejo motivo para se vangloriar pela grosseria, pelas palavras ácidas, pelo coice dado gratuitamente. Isso não é ser autêntico, ou muito menos ter uma sinceridade fora do comum. Isso recebe um nome simples: falta de educação. É não entender que as palavras machucam e que há formas de se falar algo, sem ofender ou machucar. Quem ofende gratuitamente precisa seriamente de amor próprio e uma dose cavalar de empatia. Talvez seja necessário explicar o que seja essa palavra: é se colocar no lugar do outro. É algo que o mundo precisa, urgentemente.


Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
Americana - SP


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Quais cores escolheremos?


Em tempos conturbados, com a natureza sendo devastada, com o desemprego crescente, com a violência respirando em nossos ouvidos, com o ódio que parece ser destilado gratuitamente, inclusive por pessoas públicas, o que temos feito para amenizar, ou mesmo mudar essas cores que só trazem dor e nos ferem por dentro? O que temos feito para transformar o nosso eu em algo melhor para o mundo e, inclusive, para nós mesmos?

Fico pensando nessa anestesia, que paira diante de nossos olhos e nos embrutece. Nos transforma, em processo contrário, de límpidos diamantes em rochas brutas. Será que estamos perdendo a capacidade de sonhar com um mundo melhor? Será que estamos cada vez menos utópicos, a acreditar em nosso potencial transformador?

Nos transformamos, parece, em reféns de nós mesmos. Presos a pensamentos negativos, a se estabilizar num mesmo ponto, o ponto do comodismo. Precisamos sair da zona de conforto e segurar a caneta da vida para pintar aquilo que é o essencial: colorir nosso horizonte, não para estarmos felizes, que é um estado passageiro, mas para estarmos bem – e ajudar, dentro de nossas possibilidades, a trazer outras cores ao mundo.

Somos artistas por natureza. Dentro das possibilidades de cores, escolhemos quais irão colorir nossos passos. Logo, somos pintores de possibilidades ou de resistências. De tentativas ou silenciamentos. Somos responsáveis por mudar aquilo que muda o mundo ao nosso redor: nós mesmos. Embora todos tenhamos o mesmo céu, está em nossas possibilidades usar a caneta da vida para colorir novos horizontes. Estamos pintando de qual forma nossos caminhos? Estamos trazendo cores aos outros, ou esmaecendo sonhos alheios com nossa frieza e intolerância? Em nossas mãos estão os pinceis e as tintas. Qual obra escolheremos pintar na tela da vida?




Juliano Schiavo é jornalista, biólogo e escritor
Americana - SP


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sobre mensagens não respondidas



Esses dias, esparramado no sofá (com a coluna toda torta, confesso) olhei nos aplicativos de mensagens instantâneas e vi várias notificações. Também observei que eu havia mandado mensagens e, inclusive, esperava por respostas. Nada mais natural neste mundo de conversas encaminhadas pela internet.

A questão é que, na era das conversas informatizadas, dos avisos de recebimento e de leitura de mensagens, cresce aquela sensação de “desdém virtual”. A pessoa vê a mensagem e não a responde na hora, ou sequer a responde. Não sabemos o que está acontecendo, quais situações ela vivencia, se está com uma boa conexão ou, mesmo, se ela realmente não quer responder.

Só de verificar que a pessoa está on-line, exigimos uma atenção desmedida para obter a resposta da mensagem, nem que seja um kkkk que nada quer dizer. Claro, queremos atenção. Existe um certo egocentrismo em pensar que somos a coisa mais importante que existe. A questão que fica: estamos preparados para entender que a pessoa tem o direito de não responder? De que ela não é obrigada a dar a resposta as nossas solicitações?

Eu sei. Dói o desdém virtual. Dói a pergunta não respondida. Machuca você não saber se aquilo que perguntou terá uma resposta. Gera dúvidas. Incertezas. Ansiedade. A ausência de comunicação fere e nos confunde. Queremos nos conectar de alguma forma, ter nossos anseios atendidos. Mas será que também não estamos sendo “maníacos virtuais”, exigindo atenção o tempo todo e, desta forma, vampirizando a outra pessoa com infinitas mensagens?

Quando exigimos atenção desmedida, estamos oprimindo. E ainda culpamos quem não nos responde na hora, que nos deixa no famoso “vácuo” da conversa. Eu sei, esse “vácuo” incomoda. Temos que entender que cada um é cada um e, por mais difícil que seja, não devemos projetar nossas expectativas na vida alheia e nem que os outros projetem as expectativas em nós.  Somos únicos, com direito a não querer responder solicitações. E, portanto, também não devemos exigir respostas. Cabe o bom senso de entender que, sim, muitas vezes o outro lado não quer se comunicar. O que fazer?  Simples: “aceite, que dói menos”.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo – Americana – SP




domingo, 29 de janeiro de 2017

Escritor promove bate-papo sobre publicação independente


No dia 10 de fevereiro, às 19h, o escritor Juliano Schiavo promove na Biblioteca Municipal de Americana o bate-papo “Como escrever um livro e publicar de forma independente”. A entrada é franca e, para participar, é preciso fazer uma pré-inscrição pelo e-mail bibliotecadeamericana@gmail.com, ou pelo telefone (19) 3461-9157, ou inscrição presencial na biblioteca, de segunda a sexta, das 9h às 18h.

“Minha proposta é conversar e tirar dúvidas com interessados em escrever um livro. Tenho trabalhado de forma independente na publicação de meus escritos e, neste encontro, pretendo fazer uma troca de conhecimentos. Será um bate-papo interativo”, explicou Schiavo.

Após o encontro, também haverá uma sessão de autógrafos com o escritor, que lançou, em dezembro de 2016, o livro O Balanço Vazio. Este livro tem distribuição gratuita e foi patrocinado pelo Fundo Municipal de Assistência à Cultura de Americana. 

O evento tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, por meio da Biblioteca Municipal de Americana. A biblioteca está localizada na Praça Comendador Müller, n.º 172 – Centro. Informações sobre o bate-papo pelo telefone (19) 3461-9157.

O AUTOR - Juliano Schiavo Sussi nasceu em Americana – SP no dia 22 de julho de 1987. É formado em jornalismo, com pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo. Também é biólogo e, atualmente, faz mestrado na área de Agricultura e Ambiente, na UFSCar- Araras-SP. É autor dos livros Sociedade do Lixo, O Silêncio das Mariposas, Hocus Pólen – O Feitiço da Bruxa, O Mundo Além da Ponte de Amoreira, entre outros. Mais informações no site http://julianoschiavo.wixsite.com/livros

O BALANÇO VAZIO – O livro traz uma drama, cuja história transita entre as lembranças, as reflexões e os sonhos de um professor universitário, chamado André, que se vê sem caminho a seguir. Assim, ele busca o Retiro do Silêncio, um lugar mágico, encravado na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Neste local, vão as pessoas que precisam se entender, se resolver, e aquelas que perderam tudo. Em comum, elas têm o desejo de percorrer um caminho, seja para aceitar o que lhes foi tirado ou para conquistar algo novo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Muros palpáveis e muros invisíveis












Quando o novo presidente dos EUA anunciou um muro fronteiriço com o México, não me assustei. Um muro físico nada mais é do que a materialização do muro invisível que paira bem diante de todos, como uma névoa imperceptível. É um muro feito de rancor, de preconceito e de ódio pelo diferente. É um muro que nasce, muitas vezes, no próprio lar. E é velado, surgindo apenas em momentos oportunos, como uma ferida mal cicatrizada.

Não me assusto mais com muros físicos. Eles são apenas barreiras palpáveis. O grande problema é o muro que emerge no âmago das pessoas. O muro separatista de almas, erguido com tijolos de um ódio, de uma virulência, de um gosto pela violência, não física, mas moral. Não há diferença entre o presidente dos EUA e aqueles que apoiam um tal deputado federal brasileiro, famoso por suas palavras preconceituosas e repletas de rancor – e muitas vezes usando o nome de Deus em vão para cimentar a “obra”.

Nas redes sociais, por exemplo, o que se vê é um turbilhão de ódio. Não há diálogos, discussões sadias, troca de ideias. Existe um embate tão forte, que amizades são desfeitas e o diálogo é posto de lado. Não há consensos, mas sim generalizações que nada acrescentam. É difícil não se contaminar pelo fervor das brigas virtuais, que apenas representam o que está guardado no interior de cada um.


Num mundo em que as relações afetivas se tornaram líquidas, segundo o sociólogo polonês recentemente falecido, Zygmunt Bauman, não é de se estranhar que ao invés de cultivar amizades, as pessoas se preocupam o tempo todo a estarem certas, mesmo que seus argumentos sejam vazios. O que vale não é reconhecer um erro ou voltar atrás em uma posição. Busca-se solidificar o ódio e desmantelar qualquer possibilidade de entendimento. É a máxima de que quem não pensa igual, não merece respeito igual. Triste realidade que nos permeia.

Quando me perguntam o que acho de tal muro a ser construído, apenas penso: ele sempre existiu. O verdadeiro muro não é físico. É invisível aos olhos. É uma construção passada de geração em geração, sempre buscando algo diferente para decretar: o mal reside ali e nós devemos nos unir contra ele, custe o que custar. O preço todos conhecem: tem como saldo o sangue, a dor e o medo, numa onda que só tende a se ampliar.

Em tempos de ódio, aquele que tira tijolos de seu muro separatista é o verdadeiro construtor de um mundo um pouquinho melhor. É uma batalha diária, uma obra sempre a exigir atenção para que se substitua os tijolos de rancor por bons sentimentos. A questão que fica: estamos construindo muros invisíveis de ódio ou nos permitindo criar pontes de tolerância e respeito?

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
www.julianoschiavo.wix.com/livros


Estação Cultural recebe Tarde Cultural + Sarau do Escambo


No dia 28 de janeiro, das 14 às 18h, a Estação Cultural, de Santa Bárbara d’Oeste, será palco do evento Tarde Cultural + Sarau do Escambo entre Amigos. Durante toda a tarde, de forma gratuita, haverá a participação de diversos artistas, trazendo literatura, dança, artes visuais, música, entre outras atividades de cultura e bem-estar.
O evento é promovido pelos amigos Isabela De Oliveira Ferreira , Juliano Schiavo e Lucas Red, com apoio da Fundação Romi. “Nossa proposta é reunir, num mesmo espaço, diversos artistas e pessoas interessadas em doar seus conhecimentos. É um momento de troca, em que os artistas expõem seus trabalhos e têm contato direto com o público”, explicou Schiavo.
Segundo Isabela de Oliveira, outra atividade programada para o dia é o Sarau do Escambo entre Amigos. “Esta será a 3ª edição deste projeto em que todos podem doar ou trocar livros, CDs, DVDs, entre outros objetos. É um momento muito especial em que, mais do que fazer trocas, as pessoas fazem amigos”, disse. Lucas Red também lembrou que haverá um piquenique colaborativo. “Todos estão convidados para participar”.
O Tarde Cultural + Sarau do Escambo entre Amigos é aberto ao público e ocorre na Estação Cultural, na Av. Tiradentes, 02 – Centro, Santa Bárbara d’Oeste. Informações pelo link: https://www.facebook.com/events/2204648713093858/
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO
PALCO
14h – Abertura
14h10 – Performance: Fuga - Elson de Belem
14h30 – Espetáculo Circo de Doisdo - Cia Pé De Cana (Denis Menezes)
15h30 – Sapateado - Twist Dança
15h50 – Músicas autorais – Pedro Felipe Oliveira
16h30 – Rock/Pop/MPB (acústico) - Vinicius Truffle
17h20 – Internacional e Nacional - Juliano Santtos
OFICINAS
15h – Yoga para Crianças – Taila Mires e Francisco Fiorani
15h40 – Dança Circular – Ray AnnyRogélia Silva e Celia Carvalho
16h40 – Mandalas Olhos de Deus - Ray Anny
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
15h – CIA Xekmat e a Confraria do Conto (Amauri de Oliveira)
BEM-ESTAR
17h – Reiki: Energia e Vida – Ivone Reikiana
17h – A vida no ar: a importância de saber respirar – Osvaldo Beraldo
EXPOSIÇÕES
Envolva-se – Julia CamposThainá LeguriLaryssa Luiz e Jeferson Lima
Cotidiano – Eduardo Mestriner
L'Ethnic Bijoux – Ana Rainha
A Viagem: Releitura de Boris Kosoy – Rosy Jesus Vaz
Art portrait – Marcelo Henrique
Mundo pequeno – Denis Marcorin
Animalia – Cynthia da Rocha
Olhares em PB – Val Pinheiro
Aleatório – Gabriela Nunes
FotoArte – Tatiana Sajorato
Você Não Sabe Quem Nós Somos – Aldivo Rodrigues
Trabalho com artes plásticas - Elizabete Padovezi
LITERATURA
Juliano Schiavo
Katya Forti
Leila Seleguini
Marcelo Moro
Sônia Barros
Luci Lima
Marineuza Lira
Arthur Dartcha
RODA DE CONVERSA
16h30 – O prazer feminino nos dias de hoje - Rayssa Gimenes
17h – A intolerância enquanto paradigma das relações sociais - Arthur Dartcha
PROGRAMAÇÃO SUJEITA A ALTERAÇÕES