sábado, 13 de outubro de 2018

O ódio que nos habita




Quando me perguntam qual o sentimento mais forte, hoje, sei que é o ódio. Estamos cercados por humanos sem humanidade. O mundo está insensível. Anestesiado. Tomado por uma falta de empatia. Falta tolerância, falta respeito, falta amor. Hoje entendo que aquele que pregou amor foi pregado na cruz e, no dias atuais, não seria diferente. A única diferença é que tudo seria filmado em tempo real, com direito a comentários e curtidas. O prego é virtual, mas o ódio é real.

Ouço, frequentemente, que vivemos uma crise moral e que o que vivenciamos é culpa da falta desses valores. Penso que o problema não é a falta de valores, mas os valores que se pregam. Inclusive, aqueles pregados pelos os que se auto-intitulam como a personificação do bem. O bem é um ponto de vista. Será que realmente temos pensado no melhor ao próximo?

Em 1955 uma mulher negra norte-americana, numa sociedade preconceituosa, foi imoral. Extremamente imoral quando confrontada com os valores morais daquela época. Essa mulher, chamada Rosa Parks, se recusou a se levantar do assento para que um branco se sentasse. Na moral vigente daquela época era imoral negros ficarem sentados, enquanto brancos ficavam em pé. O motorista chamou a polícia, que prendeu Rosa e a multou em dez dólares.

A “imoralidade” de Rosa, que foi extremamente ética (todos nós somos iguais e com os mesmos direitos e deveres) foi o estopim para se deflagrar um movimento nacional de boicote aos autocarros nos EUA. A partir daí o pastor Martin Luther King liderou a luta pelos direitos civis. E muito se conquistou.

Hoje, percebo o quanto estamos retrocedendo. Alimentados pelo discurso do ódio, simples e palatável, sei que ele vence qualquer possibilidade de tolerância. Será que perdemos a capacidade de compaixão com o próximo? Tenho medo.



Juliano Schiavo é escritor, jornalista, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente

domingo, 23 de setembro de 2018

Raduan - Um resumo


O livro conta a saga de um garoto chamado Raduan, nascido da polinização da flor do mandacaru. Toda a história acontece na caatinga e, durante a trajetória do personagem, ele encontra um vaga-lume sem brilho, um tatu-bola reclamão, um lobo-guará arrogante, uma cuíca desmotivada, um sapo-cururu rabugento, um caititu viciado em trabalho e um preá fofoqueiro. Com seu jeitinho cativante, Raduan vai aos poucos mostrando que a vida tem um encantamento e que é preciso cultivar o que há de melhor em nós.

Contato com o autor:
E-mail: jssjuliano@yahoo.com.br

domingo, 9 de setembro de 2018

Livro Raduan traz fábula de garoto nascido da flor do mandacaru

Escrito por Juliano Schiavo e ilustrado por Eduardo Mestriner, lançamento ocorre dia 16/09 no Parque Ecológico de Americana


No domingo (16/09), a partir das 10h, ocorre no Quiosque Gostinho de Leitura, no Parque Ecológico de Americana, o lançamento do livro Raduan, de Juliano Schiavo, com ilustrações de Eduardo Mestriner. O livro é um novo lançamento da Editora Adonis e, durante o evento, haverá contação da história por Vanessa Aranha Morimoto.

O livro conta a saga de um garoto chamado Raduan, nascido da polinização da flor do mandacaru. Toda a história acontece na caatinga e, durante a trajetória do personagem, ele encontra um vaga-lume sem brilho, um tatu-bola reclamão, um lobo-guará arrogante, uma cuíca desmotivada, um sapo-cururu rabugento, um caititu viciado em trabalho e um preá fofoqueiro. Com seu jeitinho cativante, Raduan vai aos poucos mostrando que a vida tem um encantamento e que é preciso cultivar o que há de melhor em nós.

De acordo com o autor do livro, Juliano Schiavo, a inspiração surgiu pela sua paixão por animais e, principalmente, por acreditar na necessidade de se divulgar mais as espécies nativas. “O livro fala um pouco da caatinga, um ambiente exclusivamente brasileiro, pouco conhecido. Além disso, há animais com características humanizadas. Por meio de um diálogo, Raduan os ajuda a enxergar novas formas de encarar o mundo”, explicou.

Para o ilustrador, Eduardo Mestriner, as ilustrações buscaram, além da história em si, o mundo fantasioso de J.R.R. Tolkien. “Entre as características mais relevantes dos desenho, destaco os personagens. Sempre atento às cores, pelos, tamanhos. Ao Raduan, como sua roupa, sua expressão, seu olhar. Dar vida à algo que já está vivo, apenas oculto, é um trabalho muito delicado. É preciso mergulhar na história para conseguir enxergar este mundo e assim dar forma a ele”, ressaltou.

O lançamento do livro Raduan ocorre das 10h às 12h, no Quiosque Gostinho de Leitura, localizado no Parque Ecológico de Americana, na Av. Brasil, 2525 - Jardim Ipiranga. O preço de capa é R$ 30, mas no lançamento o livro sai a R$ 25. Os moradores de Americana, no dia 16, têm entrada gratuita no Parque, desde que apresentem na bilheteria um comprovante endereço recente no próprio nome, junto de documento oficial com foto.

O AUTOR - Juliano Schiavo nasceu em Americana-SP, no dia 22 de julho de 1987. É jornalista, com especialização em jornalismo contemporâneo, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente. Atualmente é professor de ciências e um dos idealizadores e organizadores da FLAAM (Feira Literária e Artística de Americana). Já escreveu livros de romance, livro-reportagem, infantis, infantojuvenis, adultos, fantasia, entre outros. Em 2018, também lançou o livro Aprendendo com a Depressão. Aventura-se por diversos gêneros de escrita, por acreditar no poder transformador da literatura

O ILUSTRADOR – Eduardo Aurelio Mestriner nasceu em Americana-SP, no dia 19 de março de 1992. É arquiteto e urbanista. Atua como profissional autônomo em Americana-SP e região; participou da Primeira Mostra Sustentável, em Campinas-SP. Desde pequeno se interessou em desenhos e pinturas, sempre buscando desenvolver suas técnicas por meio da observação. Não teve formação na área de desenho, sendo esta apenas um hobbie de início que, mais para frente, se tornaria uma ocupação. Realizou três exposições artísticas em Americana e Santa Bárbara d’Oeste, expondo telas à óleo, desenhos e esculturas.




SERVIÇO
Lançamento do livro Raduan (Editora Adonis), de Juliano Schiavo e ilustrações de Eduardo Mestriner
Domingo (16/09), das 10 às 12h
Quiosque Gostinho de Leitura - Parque Ecológico de Americana
Av. Brasil, 2525 - Jardim Ipiranga.
Preço do livro no lançamento: R$ 25

domingo, 26 de agosto de 2018

O bom líder



Quando faço uma retrospectiva em minha vida profissional, extraio características de meus ex-superiores que me foram muito importantes. Atento-me, principalmente, ao que me auxiliou a moldar muitos de meus pensamentos atuais: liderar é conquistar a mente e o coração. É entender que todos, independentemente do cargo, são acima de tudo, humanos: com problemas, dificuldades, características únicas, habilidades extraordinárias.

Mais do que impor, um bom líder é aquele que se coloca no lugar do outro e, ao invés de uma conversa unilateral, cria uma ponte, um diálogo. É aquele que acolhe, escuta, analisa e auxilia o liderado à tomar a melhor posição no ambiente empresarial. Ele se propõe a direcionar e a indicar um caminho, inclusive, estimula o liderado a crescer em diversos aspectos.

Há inúmeras classificações de chefes: o incoerente, que não conhece a realidade da empresa; o permissivo, que não tem pulso para liderar; o paternalista, que quer assumir todas as funções para si; há o autocrático, que toma as decisões sozinho; há ainda o democrático, que ouve o grupo e toma as decisões de forma mais aberta e acolhedora.

Tomar decisões e, acima de tudo, liderar, não é algo fácil. Envolve lidar com o maior capital de uma empresa: o capital humano. É esse valor, acima do financeiro, que faz com que um projeto tenha um coração pujante e consiga se destacar.

São os bons líderes que conseguem fazer com que um grupo de pessoas se torne um time. Que abracem uma causa e acreditem que é possível transformar aquilo em realidade. O verdadeiro líder sabe que é preciso conquistar as mentes e os corações, pois só assim conseguirá obter os melhores resultados, para todos.

Juliano Schiavo - jornalista, biólogo, escritor, mestre em Agricultura e Ambiente. Atualmente, é professor de ciências e também atua como assessor de imprensa autônomo, revisor de textos e oferece suporte editorial para publicação independente de livros. Site: www.julianoschiavo.wix.com/livros

domingo, 5 de agosto de 2018

Quando o rei fica nu



Um dos contos que lembro, quando criança, é A Roupa Nova do Rei.  Nessa história, um farsante se passa por um dos melhores alfaiates do reino. E, para tanto, diz ser capaz de tecer uma roupa que apenas os inteligentes conseguem ver. Ao tomar conhecimento deste alfaiate e de suas “habilidades”, o rei vaidoso pede ao “costureiro” que faça uma roupa dessas para ele. Sem perder tempo, o farsante exige uma série de riquezas até que, por fim, fazendo seu teatro, engana a todos.

Chega o dia em que o rei vai provar a roupa – que na verdade não existe. Vaidoso como só o rei poderia ser, ele veste a “roupa” que “apenas os inteligentes podem ver”, fingindo enxergá-la (afinal, ele era “inteligente” e, portanto, devia vê-la). Acontece que, ao sair em meio aos súditos, alguém grita que o rei está nu. E todos caem na gargalhada.

O que esse conto pode trazer de reflexão? O que ele nos alerta? Que a vaidade é um grande perigo. Alguns, com o ego nas alturas, quando caem dele têm fratura exposta.  E isso acontece, pois muitas vezes podemos nos cercar de aduladores, de falsos alfaiates, que tecem mentiras que não se sustentam e que costuram elogios vazios. Há ainda aqueles que trazem propostas que queremos ouvir, sem saber se realmente elas são aplicáveis.

Saber distinguir quem realmente elogia com o coração e quem elogia com o interesse é de fundamental importância para não se caminhar nu frente a algumas decisões. É um grande desafio aprender a lidar com o ego, pois receber um elogio, ou ouvir o que se deseja ouvir, é sempre muito bom. Porém tudo se esvai em fumaça se ali não repousar a verdade, por mais dura que seja. Falar é fácil, sustentar o que se fala é outra história. É preciso ter cuidado com os falsos alfaiates.

Juliano Schiavo é jornalista, biólogo, escritor e mestre em Agricultura e Ambiente

sábado, 14 de julho de 2018

Precisamos falar sobre depressão



Após disponibilizar o download gratuito do meu livro Aprendendo com a Depressão, por cinco dias, no site da Amazon, uma das coisas que mais me chamou atenção foi o número elevado de downloads. E olha que apenas coloquei o link em minha página pessoal e em cerca de cinco grupos com a temática de depressão. Foram 295 downloads, praticamente sem divulgar.

A mesma coisa acontece com meu livro impresso. Sem me esforçar, vez ou outra, alguém me procura querendo adquirir um exemplar. Só um escritor sabe o quanto é difícil que os leitores adquiram a sua obra e, nesse caso, ao abordar o tema depressão, quase não tenho tido "esforços" para divulgar a obra. Ela se divulga por si só.

E isso me acendeu um alerta: há uma grande procura pelo tema, o que por um lado é bom, mas pelo outro me faz pensar que ainda é preciso abordar a questão. As pessoas procuram saber cada vez mais o que é a depressão e seus impactos. Detalhe: embora tenha tido um número elevado de downloads do livro, percebi que, nas postagens que fiz, houve poucos "curtir" ou "reações" na postagem.

Isso me leva a um segundo alerta: há uma procura, mas as pessoas sentem certo receio de falar abertamente sobre a depressão. É preciso desmistificar o assunto. #Depressão não é frescura, não é falta de Deus, não é falta do que fazer. Depressão é #doença e precisa ser tratada.

Quanto mais falarmos sobre essa doença para desmistificá-la, vamos aos poucos rompendo o tabu sobre o tema. É preciso falar sobre depressão e sempre lembrar que se trata de uma doença e que é preciso sim procurar ajuda quando se é afetado por ela.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
Americana - SP

====

Para quem tiver interesse, o livro link do livro na Amazon caso queira adquirir o exemplar impresso, ainda tenho disponível (logo logo acabam os exemplares, aproveite rsrs). O preço do livro está R$ 20 + frete. Qualquer coisa, só me enviar mensagem: jssjuliano@yahoo.com.br


domingo, 22 de abril de 2018

Sobre os NÃOS que temos que falar




Numa sociedade que preza pelas pessoas indestrutíveis e que necessitam estar de prontidão para agradar e abraçar o mundo, uma das palavras mais difíceis de se dizer é o NÃO. Confesso que é que um aprendizado diário usar essa palavra com maestria, pois dá-se a impressão que fomos forjados para sempre dizer sim. Afinal, agradar o outro é importante: nunca sabemos o dia de amanhã. E ao dizer um sonoro NÃO, muitas vezes, nos sentimos culpados.

Culpados por pensar que temos que agradar a todos, a todo custo, mesmo que isso nos custe o bem mais valioso: nosso bem-estar. Quantas e quantas vezes dizemos sim, mesmo sabendo que, em nosso âmago, a vontade é dizer um sonoro NÃO?

Queremos passar a imagem de que conseguimos dar conta do mundo, das obrigações. Abraçamos pedidos, como quem está num deserto com sede e se vê diante de um copo, sem se importar se, nele, há apenas água pura, ou se ela está salobra. Bebemos e, muitas vezes, nosso organismo adoece. A sede em agradar foi maior do que a necessidade de preservar nossa integridade física e mental.

É muito difícil aprender a dizer NÃO. É uma sensação dolorosa, muitas vezes, aprender a se colocar em primeiro lugar. Afinal, não queremos arranhar amizades, parcerias e relações. E dizer um NÃO pode ser mal interpretado por quem o recebe. Mas é certo nos sacrificarmos?

Quando não há possibilidades e não há caminhos. Quando não se sente parte de algo e quando não se quer mais insistir em alguma situação que não faz bem: dizer a palavra NÃO é fundamental. É essencial para o bem-estar físico e mental, pois a mente somatiza doenças. Portanto, aprender a dizer a palavra NÃO é um aprendizado diário e necessário. Representa, acima de tudo, aprender nossas próprias limitações e vontades. Vale a pena dizer NÃO.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor, biólogo e Mestre em Agricultura e Ambiente


sábado, 14 de abril de 2018

O trânsito de Americana




Quando falamos no trânsito em Americana, falamos de algo muito comum em cidades que nunca foram planejadas para comportar o tráfego atual. A cidade é fruto de uma história, uma cultura, uma construção social e, portanto, traz raízes desde sua fundação. Não podia ser diferente: quem imaginava, há 100 anos, que haveria na cidade 174 mil veículos? Não é à toa que as ruas são estreitas e, em alguns bairros, ao se estacionar carros dos dois lados de uma via com mão dupla é impossível transitar. São marcas do passado que refletem no presente.

Recentemente, Americana passou por mudanças em seu trânsito, com alteração do sentido de direção das ruas. De certa forma, elas trouxeram uma maior mobilidade. Adaptou-se uma espécie de sistema binário, em que uma rua tem um sentido e a outra o sentido contrário. Antes, era preciso andar três quadras para poder retornar e estas alterações facilitaram a vida dos motoristas.

O problema que se instaura não é mudança em si, mas sim a falta de planejamento na implantação das alterações. Lembro-me muito bem que, no sábado (24/02), quando alteraram o sentido das ruas, não havia placas indicativas de alteração em pontos cruciais e, muito menos, a presença agentes de trânsito para orientar. Não deu outra: houve acidentes.

O mesmo problema ocorre quando vai ser feita uma obra: começam a executá-la, mas sem pensar e indicar caminhos alternativos para quem transita naquela via. Ou ainda, não colocam sinalização para informar que, naquele local, há uma mudança. Esperam pelo pior acontecer. Foi a mesma coisa quando recapearam as ruas que dão acesso ao viaduto Abdo Najar: foi feita uma obra necessária, mas os sinais de trânsito, como os Pares, não foram indicados por dias e mais dias.

Se a proposta da Unidade de Trânsito e Sistema Viário é melhorar a mobilidade e pensar na segurança dos motoristas, a segunda proposta não tem sido bem executada. Não seria o momento de repensar as ações, de forma a priorizar a segurança também?  

Juliano Schiavo é jornalista, escritor, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente
www.julianoschiavo.wix.com/livros

sábado, 24 de março de 2018

Quem está ao seu lado?





Há pessoas que gostam de nós. Outras, não. Há quem nos incentive. Outros, destacam nossa pior faceta e apontam falhas, sem se importar se, da forma como falam, vão nos machucar. Para eles não importa o construir, mas o esfacelar. Há pessoas que nos usam para subir: somos apenas ferramentas para o objetivo delas, que não nos incluem. Há quem nos estenda a mão para que possamos subir um degrau. Outros, nos empurram escada abaixo.

E nessa jornada feita de um suspiro, a vida, vamos aos poucos conhecendo aqueles que se dizem amigos, mas só nos incluem quando precisam de algo, sem oferecer nada em troca. Há ainda aqueles que, nos momentos ruins, estão ali e, nos melhores momentos, comemoram nosso sucesso, sem ter a inveja a nublar o olhar. Amigo que é amigo não está apenas no momento da queda, está também dividindo nossa felicidade.

E se posso dar um pequeno conselho, a escolha de quem trilha o caminho ao nosso lado é apenas nossa. Não vale a pena prolongar conversas com quem não nos quer incluir. É direito do outro também não nos incluir. Afinal, não somos o centro do universo. O erro é nosso em insistir. Quem muito mendiga atenção, colhe apenas migalhas. É certo? Cada um sabe o que lhe convém. Muito embora, acredito que ninguém seja merecedor de migalhas de atenção. Sempre há alguém que pode somar conosco, basta que estejamos abertos a conhecer e reconhecer outras pessoas.

Você já parou para pensar nas amizades ao seu redor e como você as tem cultivado? Já parou para olhar dentro de si e observar quem lhe faz bem e quem apenas lhe inclui por mero comodismo e interesse? A vida é muito curta para estar ao lado de quem não soma, ensina e troca experiências. E a escolha é apenas nossa. Quem merece caminhar ao nosso lado?

Juliano Schiavo é jornalista, escritor, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente.

  

sexta-feira, 9 de março de 2018

Juliano Schiavo lança livro com reflexões e orientações sobre a depressão



Livro Aprendendo com a Depressão será lançado no sábado (17/03), no CCL, em Americana

No sábado (17/03), das 17h às 21h, ocorre o lançamento do livro Aprendendo com a Depressão: Reflexões, Depoimentos e Orientações Sobre a Doença Considerada o Mal do Século XXI. O livro, com 208 páginas e valor de R$20, é uma produção independente do escritor, jornalista, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente, Juliano Schiavo. O lançamento ocorrerá no CCL (Centro de Cultura e Lazer) de Americana, na Av. Brasil, 1293 – Pq. Res. Nardini e conta com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo.

Aprendendo com a Depressão traz uma série de reflexões do autor, além de orientações de 30 especialistas, como psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, filósofos, sociólogos, entre outros profissionais e 19 depoimentos de quem teve e se curou da depressão, uma doença que atinge mais de 322 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O livro versa sobre diversos assuntos, como a importância da alimentação, atividades físicas, o uso da arte, a importância da fé, dos pensamentos positivos, o papel das redes sociais, a aceitação de si próprio, entre outros tópicos, os quais buscam trazer uma mensagem de esperança, mostrando que o mais importante é persistir na luta contra a doença.

 “Só quem teve ou tem depressão sabe o quando ela afeta completamente a vida, fazendo com que se perca o prazer de viver. A partir de uma experiência pessoal, escrevi o livro, que não é um manual de cura, mas sim uma série de reflexões e colaborações. Além disso, é de suma importância que as pessoas com depressão procurem auxílio e tratamento com profissionais da área de saúde”, disse Schiavo.

O livro pode ser adquirido no dia do lançamento pelo valor de R$20 ou diretamente com o autor – frete não incluso – pelo e-mail:  jssjuliano@yahoo.com.br  ou telefone (19) 34619513. Também é possível adquirir o livro em formato virtual na Amazon <https://www.amazon.com.br/dp/B07BB6VVX9>

LANÇAMENTO – Durante o lançamento da obra, o escritor cedeu o espaço para que artistas, escritores e artesãos pudessem utilizar o espaço. A abertura do evento, que tem entrada gratuita, será feita pela contadora de histórias, Alyssa Tomiyama, do projeto Alyssa e a Magia da Leitura. Ocorrerá em seguida shows musicais de Matheus Bars (18h), Felipe Gabriel (19h) e 3G Trio (20h). Também haverá exposições de Laura Muller, Eder Modanez, Eduardo Mestriner, Ivan Lúcio Ferreira, Marcelo Henrique e Ray Anny e Cia.

O espaço contará ainda com artesanato de Ateliê Caminhos de Pontinhos; Cadernos artesanais de Lua Modanez; Canecaterapia; Faixa turbante de Ivone Vidal; e Los Cactus - Plantas suculentas. Haverá, ainda, na área de literatura, os trabalhos de Angela Maria Tavares, Eder Modanez, Fagner Zanetti, Katya Forti e da Revista Kyrial (revista literária), além da venda de livros infantis.

O AUTOR - Juliano Schiavo é jornalista, com pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente. É escritor e um dos organizadores da Flaam (Feira Literária e Artística de Americana). Já ministrou palestras sobre como publicar um livro e oficinas de escrita criativa. Atualmente, é professor de Ciências (Ensino Fundamental II) e também de Comunicação e Expressão do curso de formação profissional com ênfase em empreendedorismo e inovação da Copersucar.

Programação
Palco
17h - Início
17h10 - Abertura com Alyssa e a Magia da Leitura
18h - Matheus Bars (música)
19h -Felipe Gabriel (música)
20h - 3G Trio (música)

Exposições e oficinas
Dores e delícias de ser pessoa com deficiência - Laura Muller
Arte da Depressão: Processo de criação de uma capa de livro  - Eder Modanez
Rostos e Restos - Eduardo Mestriner
Galeria de Retratos - Marcelo Henrique
Oficina de mandalas - Ray Anny e Cia
Sou Frida e não me Kahlo – Ivan Lúcio Ferreira

Artesanato
Ateliê Caminhos de Pontinhos - Costura Criativa - Patrícia Azevedo
Cadernos artesanais - Lua Modanez
Canecaterapia - Julia Wagner
Faixa turbante / acessórios  para cabelo - Ivone Vidal
Los cactus - Plantas suculentas - Luciano Delmondes

Literatura
Angela Maria Tavares
Eder Modanez
Fagner Zanetti
Katya Forti
Revista Kyrial (revista literária)
Venda de livros infantis

SERVIÇO
Lançamento do livro Aprendendo com a Depressão, de Juliano Schiavo
Sábado (17/03), das 17h às 21h
Local: CCL (Centro de Cultura e Lazer) de Americana
Av. Brasil, 1293 – Pq. Res. Nardini
O evento tem entrada franca ao público
O valor do livro é de R$ 20,00




segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Miragens da vida facebookiana





Quando fico diante das redes sociais, sei que ali há um grande espetáculo. Espetáculo esse que é criado, pensado e compartilhado por cada um dos amigos virtuais. Há sempre aquele que é o “politizado”, “o estou certo”, “o viajado” e por aí vai. Cada um, a sua maneira, dá a cor e a história em sua rede social, sendo, portanto, um editor de sua própria vida virtual.

Numa conversa com alguns amigos, eles comentaram que viam a vida de muitos “dar certo”, “repleta de sucesso”, enquanto eles próprios pareciam não sair do lugar. Perguntei como chegaram a essa conclusão. Me disseram que apenas viram pelo Facebook.

Eu apenas ri. Ri por saber que, em se tratando de redes sociais, é muito fácil se criar ilusões. Ali há a família perfeita, o casal que se ama eternamente, a pessoa cult. Você encontra o sábio, o engraçado, o poeta, a personificação da moral e dos bons costumes. Tem de tudo. Mas nada deixa de ser fruto de uma grande edição: as pessoas, assim como na vida real, colocam ali apenas a imagem que querem passar. Isso pode não ser a realidade, apenas uma representação.

Tenho certo receio com o que vejo:  sempre há uma intenção por trás de cada mensagem. Há ali uma grande edição, uma escolha pensada sobre o que entra e o que não entra. Na vida real, as coisas podem não ser necessariamente assim. Já vi gente ser a “barraqueira do Facebook”, mas não tomar nenhuma atitude para transformar o mundo num lugar um pouco melhor. Se reclamar mudasse as coisas, acho que estaríamos num outro patamar.

Por isso, quando pensar que sua vida não é um “sucesso”, lembre-se: a postagem do seu amigo virtual pode ser apenas uma grande fantasia. Na foto, o melhor sorriso. Mas no interior, pode ser que as coisas não sejam bem assim. Sucesso não é postar. É viver e aprender com a vida.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Americana: uma cidade cinza



Há 30 anos nasci e me criei em Americana-SP. Lembro-me que, quando criança, encontrava sapos na rua. Era quase toda noite que um deles surgia, coaxando e fugindo de um cachorro ou de alguma criança. Aprendi com minha mãe a pegá-los e soltá-los no mato, pois eles eram importantes para comer insetos e aranhas. Hoje, faz anos que não vejo um sapo em minha rua. Os sapos se foram.

Lembro-me também que, em diversas ruas, árvores frutíferas vez ou outra animavam meu dia. Aprendi a gostar de jambo quando o experimentei pela primeira vez, na Rua Anhanguera. Havia um jambeiro próximo à linha férrea. Eu subia no muro e apanhava alguns jambos, cujos frutos tinham um perfume de rosas. Hoje, esse jambeiro não existe mais, assim como tantas outras árvores que fizeram parte de minha infância.

Outra constatação: naquela época, ao subir pelo Viaduto Centenário, o que eu via era uma cidade com alguns prédios. A igreja Matriz se destacava ali, em meio a casas e comércios. A cidade passava a sensação de ser aberta, crescer horizontalmente, com suspiro. Hoje, os prédios rasgam os céus de Americana, impendido, muitas vezes, de observarmos o pôr do sol.

Não sou saudosista, até por que não tenho tendência a dizer “no meu tempo era melhor”. O meu tempo é agora. E o que me assusta é que pouco tenho visto Americana avançar na questão ambiental. Falta política pública, falta vontade política, falta, inclusive, educação ambiental das pessoas.

Quando falo de sapos, penso no que eles perderam de espaço para sobreviver. Sem os sapos, por exemplo, aumenta-se o número de insetos. E por inseto, podemos citar alguns nocivos, como os mosquitos transmissores de diversas doenças, como febre-amarela.

Quando falo de ausência árvores, penso no quanto as ruas estão nuas, sem o verde a adornar as calçadas. Perde-se também abrigos e alimentação para aves, morcegos e insetos. O pouco que resta de verde é esquecido: Gruta Dainese, margens do ribeirão Quilombo... Tem mais? E quando falo de prédios, eu me pergunto: até quando o crescimento vertical vai ser sustentável, pois a cidade não tem outros recursos hídricos e fica cada vez mais adensada, com um fluxo de veículos cada vez maior

O que temo é que Americana se transforme num grande bloco de concreto, sem verde e sem o mínimo de qualidade ambiental. É preciso preservar e recuperar o pouco que resta. E, acima de tudo, pensar na cidade como um grande organismo vivo. Qual o nosso papel frente a isso? Qual a nossa responsabilidade ambiental? O que temos feito para mudar essa realidade cinza?


Juliano Schiavo é jornalista, escritor, biólogo e mestre em Agricultura e Ambiente



sábado, 3 de fevereiro de 2018

O Brasil que eu quero




“Olá, meu nome é Gabriela eu sou de Guarapuava, Paraná. E estou falando da praia de Itapoá, Santa Catarina. O Brasil que eu quero melhor é o mar sem sal. Eu quero pedir aos governantes que tirem o sal do mar. No resto tá tudo ótimo, obrigada”. Essa frase, proferida pela tal Gabriela, se tornou meme. Por meme se compreende um fenômeno em que uma informação se espalha rapidamente, ganhando popularidade. 

Quando me peguei vendo o vídeo, confesso que ri muito. E ele ficou em minha cabeça, ecoando. Não pelas risadas, mas por refletir sobre a ironia de Gabriela. É mais fácil tirar todo o sal do mar – que convenhamos, para mim também seria melhor, pois não gosto do sal – do que simplesmente ter um País em que a lei não tenha dois pesos e duas medidas. É mais fácil transformar toda a água marítima em doce, do que frear essa onda de ódio e intolerância que vem varrendo nosso País.

Ao pensar a respeito do pedido de Gabriela, eu compreendo a ironia. As facilidades nos métodos da dessalinização são inúmeras. Porém parece não haver possibilidades de extinguir a corrupção, o racismo, o preconceito. Parece não haver caminho para colocar mulheres e homens no mesmo patamar de direitos. Parece que este País se transforma, a cada dia, num local mais intolerante, em que só se respeita quem se pensa igual ou sustenta o mesmo cabresto. 

E embora seja mais fácil transformar a água salgada em doce, frente a todos os problemas por termos uma sociedade doente, ainda acredito que pequenas ações podem fazer a diferença. Quando você quer mudar a realidade para melhor, é muito simples: basta respeitar o outro; tolerar as diferenças; cobrar os direitos e cumprir os deveres. E acima de tudo, ter empatia. Já pensou que legal seria se todos se colocassem no lugar do outro antes de tomar algumas atitudes? 

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo.
www.julianoschiavo.wix.com/livros
Americana - SP



quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O senhor das moscas


Esses dias li O Senhor das Moscas, de William Golding. O livro traz a história de garotos, presos a uma ilha deserta após a queda de um avião. Um deles, Ralph, é escolhido por unanimidade para liderar o grupo e, com isso, tentar trazer alguma ordem em meio ao caos. Ralph tem um espírito democrático: é aberto, escuta as pessoas, busca ser o mais justo possível, em meio às adversidades.

Outro garoto é Porquinho, uma criança muito metódica, que analisa a situação e fala o que, muitos, não têm coragem de dizer. Ele traz fatos que ninguém quer encarar e, por isso, incomoda. Ralph, sempre que possível, o escuta. Por ter espírito democrático e por entender que há posições que devem ser tomadas. Porquinho é como se fosse a ciência, a razão. Ele pensa e analisa o que é viável e o que é possível – e por isso incomoda, pois não há soluções mágicas.

E, para contrabalancear a história, há Jack: um garoto que quer ascender ao poder, pela imposição da força, apenas pela necessidade de mandar e fazer o que bem entender. Tem posições demagógicas, frias, desumanas. Jack traz soluções mágicas, para situações que não têm solução. Sabe articular seus seguidores pelo ódio que espalha e pelo medo que cria. Jamais ouve Porquinho, o garoto que traz fatos. Tem ódio de Ralph, a criança que luta, inclusive, pelas minorias, não buscando privilégios a estes, mas equidade.


Ao terminar de ler o livro, tracei um paralelo de tudo o que tem acontecido no Brasil e senti muito receio pelo que está por vir em 2018. Tenho medo de um líder emergir pelo ódio. Tenho medo sim, por saber que muitas atrocidades são cometidas pelo silêncio e cumplicidade da maioria. Se você busca o bem, como optar por aqueles que não respeitam o outro? Tenho pena de quem não enxerga o mal que cultiva. Falta esclarecimento. 


Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O que te move?


A vida tem me ensinado que, quando queremos ver algo acontecer, não adianta apenas termos idealizações ou sonhos. Sonhar é preciso, porém, para materializar o que se deseja, é fundamental movimentar o universo com ações. E transformar a realidade depende, necessariamente, da nossa vontade, possibilidades e das ferramentas que temos ao nosso redor.  Inclusive, parar de reclamar de tudo e de todos.

Materializar sonhos não é algo fácil. Demanda tempo, energia, vontade, canseira, suor. Você se desdobra para cultivar sementes que podem germinar com plantas diferentes das que almejava. Porém o importante, sob todos os pontos de vista, é cultivar algo. Pode ser que as sementes não deem necessariamente a maçã que se idealizava. Porém o importante foi plantar e começar a transformar a realidade com o pouco que se tinha.

É preciso preparar a terra e semear para iniciar o germinar; regar diariamente; limpar o canteiro das ervas daninhas que, vez ou outra, surgem para nos desmotivar; adubar; e, por fim, sempre zelar pelo cultivo até alcançar o fruto. Há plantas que demoram anos para florescer. Outras, são rápidas e têm sua importância para nos alegrar nos intercursos da vida.

Nesta trajetória, vira e mexe, pego-me a pensar sobre quais são meus anseios. Não é algo fácil, até porque pensar na vida exige certo desconforto: é preciso mudar algumas coisas para sair da zona de conforto; arriscar novos caminhos para observar o mundo com outro olhar; aceitar o que não se pode mudar; e entender que há pessoas que somam, outras que nada agregam e outras que apenas querem prejudicar. Frente a essas percepções, eu me pergunto: quais os sonhos que lhe movem? Até que ponto você movimenta o universo para realizá-los?  E você tem realmente acreditado no que deseja?

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
julianoschiavo.wix.com/livros

Americana - SP

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Tá faltando fio de bigode


Qual o valor de suas palavras? De que forma elas se materializam, ou não? Qual o peso que você dá a suas promessas? Elas se transformam em realidade, ou ficam apenas no “vou fazer”? Essas e outras perguntas são sempre muito importantes de serem feitas todos os dias para nos lembrar: de que forma projetamos a pessoa que somos ao mundo? De que maneira buscamos melhorar a realidade que nos cerca cumprindo com o que nos propusemos a fazer?

Isso porque, nesses tempos novamente sombrios que vivemos, tem-se a sensação de que existe um enfraquecimento do poder da palavra:  as promessas parecem não valer. E o que isso implica? Em uma sensação de que é difícil confiar no outro.

A vida me ensinou que é preferível receber um sonoro não a ouvir promessas vazias. E também é necessário dizer um não, quando realmente não existe possibilidade de se cumprir algo. Não precisamos de encantadores, que tudo prometem e nada cumprem. O que precisamos é novamente honrar o “fio do bigode”, ou seja, uma expressão surgida há muito tempo que consistia em honrar a palavra dada com um fio do próprio bigode. Assim, o que se dizia, valia muito mais do que qualquer contrato escrito. Está faltando isso.

Confiança é algo difícil de se criar. Mas muito fácil de se esfacelar. Pessoas que tudo prometem, que manipulam o outro, que brincam com as palavras para conseguir algo e, depois de tudo isso, nada cumprem, estão apenas mostrando a verdadeira face oculta: são aproveitadores. E hora ou outra a verdade sempre bate à porta. A pergunta que deixo no ar: quem perde com isso?

Nesse mundo cada vez mais tomado por pensamentos nebulosos e que beiram o doentio, nada mais sensato do que honrar as palavras. Afinal, como tentar mudar nossa realidade se nem as promessas cumprimos? É algo a se pensar.


Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo
Americana - SP



quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Uma reflexão sobre a maturidade


O tempo é o senhor das verdades e mestre em revelar as faces: você só aprecia bem as cores de um quadro e os detalhes quando você o observa de perto. Pessoas são assim: você as conhece pela convivência.

Nessa jornada, única, o aprendizado é forjado pelo tempo, pelas interações sociais e pelas situações. E aprendizado só se torna útil quando conseguimos tomar as decisões com sabedoria: admitir erros, perdoar e reconhecer que há coisas que podemos mudar (para melhor) e outras que não temos como modificar (e aceitar é o caminho mais sensato). Isso se chama maturidade.

A maturidade, por sua vez, representa ter sabedoria de analisar as situações, entender as limitações e aventar as possibilidades: o que realmente nos move? O que nos preenche de coisas boas? De que forma estamos agindo para mudar o nosso eu e, inclusive, mudar o nosso redor para melhor?  Estamos nos importando com o nosso verdadeiro bem-estar, ou nos acomodamos numa vida “mais ou menos”?

Nesses questionamentos, muitas vezes trombamos com situações ou pessoas que não nos fazem bem. Insistimos em manter contato, ou continuar vivenciando situações que já sabemos: não vão vingar. É como plantar sementes em terras áridas. De lá, nada germinará. Vale a pena insistir em relações em que é preciso “mendigar” atenção? Estamos sendo honestos com nós mesmos ao continuarmos num emprego ou curso que nos deixa infelizes? É necessário manter “amizades” que sabemos serem só por interesse?

A maturidade surge como a melhor ferramenta: é ela quem vai permitir olharmos para dentro e para fora. Analisar o que nos cerca e o que nos falta. Refletir sobre as nossas capacidades, dificuldades e possibilidades. A partir dela, podemos fazer escolhas mais sensatas. A questão que devemos sempre fazer: estamos sendo maturos ou imaturos?

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo

Americana – SP.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Sobre as formas de se dizer algo


Se as vírgulas podem mudar o sentido de uma frase, imagine então o poder das palavras. E por mais que estas não sejam feitas de matéria física, elas têm uma força e tanto. Podem nos alegrar, entristecer, enraivecer, nos convencer. Elas dão formas ao nosso modo de pensar e ajudam a traduzir nossas ideias e visões. Palavras ao vento podem se transformar em tufões ou em brisas. Depende apenas da forma que são proferidas.

Nesses encontros e desencontros que é a vida, é comum esbarrarmos com as mais diferentes pessoas. E confesso: admiro aquelas que sabem usar as palavras de uma forma que dizem tudo o que querem, da forma mais honesta possível, sem ofender. Sem medo, dizem o que pensam, mesmo que seja oposto ao que pensamos. Mas dá gostou ouvir, pois elas sabem falar, de forma a não te ofender por pensar diferente. Pessoas assim, admiro. Elas se posicionam e não ficam em muros.

Confesso também que tenho certo pé atrás com aqueles que querem se passar por autênticos e, para tanto, usam as palavras da forma que bem entendem. Não se preocupam com o teor da mensagem. Apenas querem se posicionar, mostrar que “não tem medo de dizer o que pensam”. Eu vejo de outra forma: elas simplesmente são grossas. E o pior: parecem sentir orgulho de serem pessoas sem um pingo de educação e sentem prazer em “humilhar” o ouvinte.

Ser autêntico não significa ser grosseiro. Existem as mais diferentes formas de se falar algo, sem machucar o outro com palavras. Autenticidade não é sinônimo de grosseria. Mas grosseria é sinônimo de burrice: de não entender que a forma como se fala pode magoar, desnecessariamente. Quem vive com pedras na mão é quem não sabe se amar e se aceitar. Pode dizer que se ama, mas é da boca para fora. Quem se ama verdadeiramente, não precisa humilhar os outros para se sentir bem.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo

Americana – SP.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Grafites, velas e tsurus


O que antes era um muro cheio de cor, obra grafitada pelo artista americanense Leonardo Smania, hoje é um muro opaco. De uma arte repleta de significados, estampando uma mulher negra, sorrindo, sobraram apenas memórias e registros fotográficos.

Mesmo atrasado ao manifesto marcado nesta terça (11/07), às 19h, levei, junto de minha mãe, uma dobradura diante do muro. Lá, ardiam velas como forma de protesto pelo apagamento do grafite. Deixamos ali, um tsuru, que representa, segundo as lendas japonesas, uma ave símbolo da boa sorte, felicidade e longevidade. No caso do grafite que ali residia, uma longevidade que não existiu. A arte retratada naquele muro, de uma mulher negra, estudante da APAE, foi efêmera demais.

A arte, tal como as velas, é uma fagulha da criatividade humana. Ilumina os caminhos, pois busca, no fundo de cada um, a essência. A arte, assim como a calor das velas muito próximo da pele, incomoda, pois é de sua natureza incomodar. A arte serve para mostrar, propor, cutucar, fazer refletir. A arte é assim. A arte incomoda. A arte é um tapa na cara. Ela permite pensar além do nosso mundo tão reduzido. Ela é uma troca.

Talvez por incomodar demais, a arte que ali residia teve um fim tão rápido. Repousa sobre uma camada de tinta creme. Não teve a longevidade de um tsuru, mas sim a rapidez de uma vela a queimar. O que fica de tudo isso? A certeza de que trazer cores, num mundo cada vez mais cinza, é uma luta. Mas não devemos jamais desistir.

Enquanto uns cortam flores, há os que plantam sementes. E fazem isso muito bem. É preciso, sempre, semear. Para que um dia – mesmo que efêmeras – as flores possam fazer alguém ser tocado de uma maneira que, sem essas cores, jamais seria tocado. Que a arte continue viva e que os artistas jamais deixem a esperança ser perdida, mesmo diante da falta de apoio que existe. Que o coração e alma falem mais alto do que racionalidade fria daqueles que só querem apagar as “cores” de todas as expressões artísticas.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo