Efeito borboleta




Escolhi ser professor por amor. Por acreditar que a educação pode transformar as pessoas e as elas podem transformar o mundo. Escolhi ser professor para ser uma ponte entre o estudante e a leitura de mundo. Para ser alguém que está ali para acolher, ouvir, orientar, ajudar a refletir. Fiz isso por acreditar que essa é uma profissão que abre porta para todas as outras.

Escolhi ser professor para oferecer o meu melhor, sempre. E vejo isso nos olhos de outros tantos professores, como os que passaram por minha vida. E foram muitos, das mais variadas disciplinas. E vejo esse amor por ensinar nos olhos dos professores que trabalhei e trabalham comigo. Não é pela profissão, é pelo amor pelo ensinar.

Se hoje sei ler e escrever, foi uma professora que me ensinou. Se hoje consigo interpretar um texto, fazer uma conta, buscar uma informação e verificar se ela é real ou não, foi graças aos meus professores, meus educadores. Sou o que sou, graças a esses mestres, que guardo no coração. Sou grato a cada um e só eu sei o valor deles, que é imensurável.

Porém, o que vejo hoje, é um discurso de ódio. De pessoas criticando uma classe trabalhadora, que sempre é relegada a segundo plano e não deveria, tendo em vista que o investimento em educação está diretamente relacionado ao progresso do país. Me assusta ver o tanto quando regredimos. Falta humanidade no coração de muitas pessoas. Falta empatia. O problema é a falta de amor e o respeito pelo próximo. O mundo está carente disso. E você, o que tem feito para melhorar o mundo? Ou é adepto do quanto pior, melhor? Há quem seja e tem interesse nisso.

Lembre-se: o bater de asas de uma borboleta em algum lugar longínquo, pode causar um tufão em outro lugar do mundo. Portanto, as ações e palavras reverberam, ecoam e, quando menos se espera, criam uma reação. Portanto, quando se semeia ódio, fica difícil colher amor. Quem escolhe as sementes somos nós. E você? Quais sementes escolheu semear? Tem plantado boas sementes? Ou tem semeado a discórdia, o ódio e a falta de respeito pelo outro?

 

Juliano Schiavo é professor, escritor e jornalista

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