quinta-feira, 30 de março de 2017

Sobre ter paz e ter razão






É preferível ter paz a ter razão. Talvez esse pensamento, simples, pode ser a diferença entre perder o tempo discutindo com alguém (que não sabe e nem quer ouvir) ou aproveitar os momentos para movimentar o universo a nosso favor – e fazer pequenas mudanças.  Quem nunca se deparou com alguém que busca, por todas as vias, manter a razão, mesmo que isso implique em causar discórdia? E o pior: a razão que o outro tanto prega pode não ser verdadeiramente o melhor caminho, mas é o que ele acredita cegamente e quer fazer com que outros o apoiem.

Talvez uma das grandes habilidades a se desenvolver é simplesmente “concordar” com quem não tem diálogo. Concordar da boca para fora, mas em nosso interior, continuar movimentando o universo por aquilo que acreditamos. Discussões cegas só criam neblinas nas possibilidades. Paralisam ações. Criam raízes nos pés de quem discute. Imobilizam feito uma teia pegajosa em busca de um inseto desatento. Vale a pena discutir com senhores da razão? Ou vale mais a pena consentir com a cabeça, virar o corpo, e seguir o rumo fazendo o que precisa ser feito?

Num mundo de convicções como vivemos, dá-se a impressão que o diálogo, ou seja, aquela via de mão dupla, que constrói e aponta alternativas, parece uma peça de museu. Algumas pessoas têm tanta convicção no que falam, que se caírem dela, têm fratura exposta. Vale a pena dar a mão, ou melhor, os ouvidos a quem consequentemente quer te arrastar a essa queda? Por qual motivo se importar tanto em ter razão, quando a outra pessoa realmente não sabe ouvir o que você quer falar? 

Há discussões que realmente não valem a pena. Nos aprisionam, nos desgastam, nos inferiorizam, nos fazem sentir uma raiva desnecessária. Mas quem realmente permite que a água entre no barquinho de nossa vida somos nós mesmos. Com quem não quer dialogar, argumentar de nada vale. Por isso, é melhor ter paz a ter razão. Sorrie e acene. Deixe a pessoa com a convicção dela e siga adiante. Quem ganha é você.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e biólogo.
Americana - SP

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