sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Sobre sementes de carrapicho e amores-perfeitos


 

Sementes de carrapicho não fazem florescer amores-perfeitos. Tenho ciência disso. E é o que acredito: cada um é aquilo que pode oferecer. Nem mais, nem menos. Mas afinal, estamos oferecendo o nosso melhor, para tornar o nosso ambiente mais agradável? O que temos feito para evitar que carrapichos nasçam em nosso jardim? Estamos escolhendo as sementes corretas, ou semeando a esmo qualquer semente que surge em nossas mãos?

Quando queremos transformar nosso mundo, o primeiro passo é nos transformarmos. Quer atrair sorrisos: sorria. Leve sua luz onde há tristeza. Traga palavras de conforto, quando assim for preciso. Ofereça um abraço, quando perceber que ele é o mais necessário tipo de apoio. Somos aquilo que podemos oferecer. Nem mais, nem menos.

Às vezes, o que mais precisamos é de ter alguém disposto a nos ouvir realmente. A se colocar em nossos lugares e buscar, com o coração, entender que todos nós temos nossas possibilidades e limitações. E acima de tudo, respeitar-nos por quem somos. É o mínimo a se fazer. É algo que faz o ser humano se diferenciar das outras espécies.

Não são os títulos de doutor, de nobreza, ou qualquer outro título que definem quem realmente somos. Não é o dinheiro, a última versão do celular, nem o carro do ano que refletem nosso caráter. Quem se utiliza desses anteparos para ser grosseiro com o outro, é digno de pena. Pessoas assim não conseguem estar bem consigo próprias e, dessa forma, fazem o que sabem fazer de melhor: semeiam carrapichos.

Quem quer ter flores no jardim, deve semear as sementes corretas e cultivá-las. Deve entender que, cada planta, tem suas limitações e possibilidades. E, frente a isso, ficam duas questões para refletir: 1) estamos dispostos a entender as limitações e respeitá-las? 2) realmente queremos estender nossas mãos (dentro de nossos limites) e ajudar para que alcançem as possibilidades? É algo a se pensar.


Juliano Schiavo é jornalista, biólogo e escritor
Americana – SP

Um comentário:

  1. Amei Juliano. É preciso lutar, fazer o melhor, estender as mãos. Paula Belmino

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