sexta-feira, 29 de julho de 2016

Navegar é preciso



Estamos em pleno mar. Sempre. Navegando por esse mundo marcado por desrespeitos, preconceitos e dificuldade em lidar com o diferente. Estamos em pleno mar, de um mundo maculado por desigualdades, no qual a voz dos fracos não tem vez. Mas ecoam. Seguem junto das ondas que se desfazem nas areias daqueles que se permitem entender que é preciso lutar. Lutar por um sonho teimoso, lutar por um ideal, por um mundo em que você pode simplesmente ser humano – com suas diferenças bem-vindas. 

Estamos navegando, sempre. E nesse trajeto, em que navegar sempre é preciso, devemos estender as nossas mãos para as experiências e desafios que nos levam adiante. Desafios estes que podem transformar nossa realidade em um momento melhor. O segredo é fácil: entender que cada é diferente a sua maneira e, para tanto, é preciso respeitar. Embora o segredo seja fácil, há quem teime seguir numa corrente marítima marcada pelo ódio.

E ódio não se faz apenas por atentados terroristas. Ele se faz quando as palavras ferem, e servem de pretexto para diminuir e fazer sangrar por dentro. Quando alguém se coloca acima de outra pessoa, se achando superior e oprimindo. Quando se usa pretextos religiosos para se julgar melhor, mas se esquece que não há salvação fora da caridade. O ódio se faz presente quando não se busca compreender que o mundo é marcado por diferenças e que o mínimo que se deve fazer é respeitá-las. 

Para qual lugar queremos navegar? Por águas revoltosas e céus tempestuosos, que ferem e afastam as pessoas? Ou por águas límpidas e serenas, que permitem que cada um desfrute do céu que se desdobra de uma forma acolhedora? Cada um é capitão de seu navio. Logo, nossas ações é quem definem o rumo tomado e as águas em que navegaremos. Por isso, antes de qualquer gesto, qualquer palavra que pode ferir por dentro, é preciso olhar a bússola do bom senso. E optar por um rumo. A decisão é nossa. 

Juliano Schiavo 
Jornalista e escritor – Americana-SP

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