sábado, 22 de junho de 2013

Ecos do 20 de junho


Enquanto caminhava por entre o mar de pessoas que seguia pelas ruas de Americana, interior de São Paulo, com suas faixas, seus gritos, suas máscaras, suas palavras de indignação a tudo o que tinham guardado dentro de si, foi que me perguntei: para que e por quê? Ainda estou digerindo o que aconteceu... Mas tive meus motivos de estar ali.

Entre eles? Ter observado, principalmente pelos vídeos disponibilizados por pessoas que nunca vi nem ouvi na vida, a repressão do Estado, com sua truculência, seu autoritarismo, sua intolerância a ouvir. Não era a polícia que estava ali, com suas balas de borracha, sprays de pimenta, bombas de efeito moral: era o Estado, representado pela esfera municipal, estadual e federal. O Estado que faliu por se desprender daquilo que deveria servir: o povo.

Também estava ali com o propósito de ir contra aquilo que acompanhei nos veículos de comunicação: a transformação da mobilização social em mero vandalismo. Os jornais criminalizaram um manifesto, levando por base um pequena minoria aberrante  - talvez plantada por certos interessados em denegrir a mobilização. Com sua capacidade de editar a cena que lhes interessava passar, excluíram os sorrisos, as lágrimas, a feição de esperança de quem caminhou. Esta velha mídia, que diz ser contra a censura, censurou a verdade das ruas.

Torci sim para que não houvesse bandeiras de partidos políticos em meio à caminhada. Não é contra os partidos, mas sim contra o que se partiu na relação entre o povo e seus representantes: a confiança. É preciso repensar não a Democracia, mas certos mecanismos, promovendo uma verdadeira reforma eleitoral. Por que não o fim da reeleição ininterrupta de vereadores, deputados e senadores? Transformaram a política em carreira profissional, ao invés de transformar política em novas ideias para mudar – para melhor – a sociedade. Reeleição sim, apenas uma vez. Mais que isso, é ficar refém das mesmas faces.

Não sou contra o Estado. Não sou contra a imprensa. Não sou contra os partidos políticos. Sou contra a repressão governamental e sua intolerância em ouvir. Sou contra a parcialidade desmedida da mídia. Sou contra o uso do público de forma privada por políticos. E foi por isso que caminhei, que estive ao lado dos mais de 15 mil manifestantes da minha cidade, e que se somaram aos mais de 1 milhão de pessoas em todo País no dia 20 de junho.

Sou, acima de tudo, a favor da Democracia. Do Estado laico, aberto ao diálogo, que não empunhe bandeiras partidárias, mas sim traga em si políticas públicas que sirvam ao povo. Sou a favor do direito da população escolher seus representantes, mesmo que não sejam os mais corretos sob nossa ótica, mas não podemos cercear o direito de escolha individual.

Ainda estou digerindo o que aconteceu. Tentando entender esta onda. Mas o que trago em mim é uma certeza: não foi pelos R$0,20. Foi pela indignação por ver tantas coisas erradas sem punição. Precisou de um levante para mostrar que ainda vivemos numa Democracia e que nossos representantes estão para nos servir e não para serem servidos. Que esta força não se adormeça.

Juliano Schiavo é jornalista, escritor e estudante de Ciências Biológicas

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