sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Juntando dois textos do blog

Estou sem tempo para ter tempo de perdê-lo. Eis aqui minha grande aflição. Por mais que tente estender meus dias, eles escorrem, escorrem, escorrem... É aquela sensação de querer abraçar o mundo todo ao mesmo tempo e se perder nos pequenos desvios de cansaço, fechando os olhos, apagando, tentando se esquecer um pouco dessa loucura a que nos submetemos: vida, trabalho, estudo.
Mas nesses momentos fugazes, nestas idas e vindas dessa vida repleta de obrigações, certas situações nos fazem pensar sobre nossos passos. Acontecimentos perdidos no dia a dia, mas que representam algo que deve ser pensado. Para muitos, o que vou relatar abaixo é sem muita importância. Para mim, me fez pensar sobre algumas coisas.
Foi num domingo. O telefone tocou, era meu pai. Atendi.
- Filho, um amigo seu está indo aí te visitar.
- Quem é?
- O Emídio.
No mesmo instante, a campainha tocou. Olhei pela sacada e lá estava ele. Sorri e disse para ele me esperar que eu estava descendo. Abri o portão. Ele não acreditou quando me reviu. Seus olhos brilhavam, marejados de emoção. Tinha os cabelos bem brancos, meio ralos. O mesmo olhar de bondade que eu conheci quando tinha meus 8, 9, 10 anos de idade.
- Juliano, é você? Lembra de mim?
- Sim. É o Emídio! Lembro sim!
- Ah, aposto que seu pai ligou e te disse.
- Sim, ele ligou. Mas eu lembro de você sim. Você levava seu filho jogar bola no campo.
Ele me abraçou. Chorou. Disse que jamais me reconheceria na rua. Minha tia saiu na sacada. Ele levantou os olhos marejados e, enquanto enxugava as lágrimas, falava com ela:
- Não acredito! Sou emotivo demais tia! Estou emocionado em rever meu amigo Juliano – E me abraçou novamente. Convidei-o para entrar, mas disse-me estava só de passagem.
Naquele domingo eu me senti estranhamente feliz. Talvez por notar que sou querido, mesmo que tenha perdido o contato a tanto tempo. Sorri com o riso daqueles que se sentem gratos por esses pequenos momentos de emoção. Lembrei-me que a vida é um caminho, um longo caminho, que muitas vezes se perde, mas também se cruza.
Do episódio, refleti sobre certos acontecimentos. As atribulações diárias, ou seja, esse vai e vem maluco, que no final da tarde rende-nos o cansaço – tanto físico, quanto mental – nos empurra cada vez mais a um vale da solidão. Nos afastamos de amigos, não porque queremos. A vida nos coloca em outro caminho. Talvez por nossas escolhas, privilegiando o profissional ou meta pessoal.
O paradoxo é que, mesmo cada vez mais conectados com as pessoas, por meio de um mundo digital (internet), nos desconectamos cada vez mais da vida real. Perdemos contatos com aqueles que estimamos. Nos entregamos ao cansaço do final de tarde. E, assim, acabamos num passo trôpego, a caminhar cada vez mais no sentido de se perder das pessoas. A pergunta que me faço: por quê?

2 comentários:

  1. Não sei o que é mais bem quisto, refletir ou comentar. Os dois!

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  2. o tempo realmente costuma escapar de nossas mãos, evasivo esse Deus Cronos... Nos tira e nos fazem perder o contato com pessoas que amamos um dia.
    Mas as vezes ele nos dá o prazer de reencontra-las no momento certo.
    Mas ai está a pergunta que faço todos os dias.
    Se a internet surgiu para aproximar as pessoas, porque todo mundo está tão distante?

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