terça-feira, 6 de julho de 2010

Fim

Não me sinto bem emocionalmente. É difícil deglutir o que a vida nos reserva - não necessariamente a mim, mas o que acontece ao nosso redor. Ontem faleceu um conhecido meu. Jovem, guerreiro, inteligente. Jornalista que começara a subir na vida justamente agora. Apenas 26 anos, com um amor pela vida que dava gosto. E num acidente de trânsito, eis que sua vida foi ceifada.

Ontem também tivemos que sacrificar o Roque, meu cachorro Highlander, que já sobrevivera a doença do carrapato, atropelamento, pedrada, anemia profunda, pneumonia, câncer, operação, enfim, uma sucessão de acontecimentos. A velhice o consumiu e não havia mais forças em seus frágeis músculos. Mesmo após a eutanásia, ainda ficamos um pouco por lá, de forma a verificar que ele realmente estava morto, devido a sua capacidade de "voltar do além". Também partiu.

Nestes momentos, apenas a dor fica. A sensação de que a vida é um fio, um caminho que se entrelaça num nó chamado apagar. Não é fácil absorver isso que acontece. É um impacto muito forte, que bambeia as pernas. Ficamos sem ação, sem ar para respirar.

E o engraçado: justamente hoje, quando saí na capa do jornal de minha cidade, falando sobre meu livro, eis que acima, lá estava a foto do David. Senti um vazio, uma sensação de esmorecimento. Dividimos a capa, cada um com sua história. Eu com a divulgação de meu livro. Ele, com seu fim, seu apagar. Me doeu demais isso. Me marcou como marca todo o fim daqueles que bem queremos. É a vida, é a vida, infelizmente.

Acho que essa músisca tem tudo a ver com o dia se hoje

3 comentários:

  1. Um livro nascendo...
    Um amigo morrendo...

    E nunca as mariposas estiveram tão silenciosas, não?

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  2. Sempre pensei que a morte fosse o oposto da vida. Mas, não. A vida não tem oposto. A morte é o oposto do nascimento. Ambos são momentos. Dois momentos de um mistério maior... esse, sim: a Vida. Ainda que a morte pareça toda-poderosa e tire bruscamente do nosso convívio pessoas queridas, existe algo maior do que ela. A morte não destrói e nunca destruirá aquilo que chamamos de Amor, Afeto, Laços... que construímos aqui nesse mundo. Mas que persistem mesmo após a morte. Tanto que, mesmo após a partida dessas pessoas queridas, não diminuimos em nada os sentimentos que temos por elas... e que elas tem por nós. Mistério... maior que a morte.
    Meus sentimentos...

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  3. Sabe Juliano, há duas mortes da qual eu me estranho, que é a morte da essência que envolve o nosso âmago, a do fundo musical dos sentidos, digamos assim...
    A outra é aquela, que não tem fenda, nem esconderijo, não tem saída!
    Perdi meu Pai a três anos, o mesmo, era de uma essência na minha vida emocional estupenda.
    Mas, se existe vida, a mesma, é para ser vivida, de cabeça erguida, por vezes bate uma melancolia, mas como não ter?

    Adorei seu blog viu?
    Sucesso pra ti!!!

    Camila Senna.
    Shalom.

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