segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Entre gigantes e reflexões

Quando a primeira cabeça foi ao chão, rojões para comemorar. Quando as britadeiras talharam o cimento e os ferros, comemorações ecoaram. Quando a operação Davi Derrubando Gigantes se estendeu a luz do dia, deixando apenas os pés das criaturas disformes, nada mais importava. Os gigantes jaziam, tão inertes como foram, apenas na memória e nos registros jornalísticos. Mas isso realmente não importa.

A operação Davi deveria derrubar outros gigantes, que realmente assustam a cidade. O gigante mor: o marasmo que assola a Princesa Tecelã – antes tão dinâmica, agora com a síndrome da bela adormecida, que tem seu príncipe, mas não seu beijo para acordar.

É difícil aceitar que uma cidade tão próspera fique neste marasmo. Sem cinema (felizmente temos um suspiro que é o Cineclube, que retomou as atividades em janeiro), sem mudanças, sem oportunidades, sem projetos consistentes. Americana está entregue a uma corda bamba de incertezas. Equilibra-se, a muito custo, no que já foi construído, mas nada de novo se constrói. A cidade, pergunto, perdeu a pulsação?

Quando a cabeça do gigante rolou, não era apenas uma obra de arte (mesmo sem a beleza estética desejável), mas sim o que a cidade, atualmente, representa: uma queda, iniciada pela falta de projetos consistentes, que apontem rumos e não se percam no emaranhado de promessas jamais cumpridas.

Os gigantes, que seguram o portal Princesa Tecelã, são sempre renegados. Quando estorvam, tem a voz sufocada, pois não tem a mínima importância no contexto. Os gigantes somos nós. Os gigantes são todos os americanenses, que sustentam este arco, esta máquina que parece estar enferrujada.

E esta ferrugem se espalha em vários cantos. Pegue-se como exemplo o sistema viário da cidade. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito, no mês de setembro de 2008, Americana contava com uma frota de cerca de 115 mil veículos. Em 2009 eram registrados cerca de 121 mil. Isso representa um salto, em menos de um ano, de aproximadamente seis mil veículos. Se hoje há um caos no sistema viário, imagine daqui a alguns anos, quando houver um número maior de automóveis?

É esta é uma das questões, por exemplo, que deve ser discutida. Deve-se criar um plano de mobilidade viária. E por plano não se entende uma ação emergencial, mas sim algo traçado, pensado e com o intuito de não atender simplesmente o momento, mas o futuro. Se a cidade mergulha num caos viário, tudo para. Cidade é fluxo, movimento, rapidez. Não deve ser sinônimo de engarrafamento, estaticidade, caos. Deve-se investir em melhorias viárias, organizar o fluxo do tráfego, trazer segurança ao sistema viário, repensar todo o sistema parado no tempo.

A cidade não foi planejada, mas sempre há tempo de se iniciar uma pequena revolução e, assim, oferecer aos cidadãos qualidade de vida. O que falta? Projetos, planos e, principalmente, ações. Mas ações pensadas e não simplesmente surgidas do dia para a noite, como foi a queda dos gigantes. Pois quando os gigantes se foram, rojões. Mas quando a cidade se vai, só há lamentações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário