sábado, 31 de julho de 2010

O que realmente vale a pena?

Há momentos em que nos questionamos sobre o que realmente vale a pena nesta vida tão cheia de reviravoltas, perdas e ganhos. Não importa a idade, as questões surgem naturalmente e vivem a se digladiar em nossas cabeças. Qual caminho tomar? O que realmente queremos? Vale a pena todo o esforço para atingir nossa satisfação pessoal? Questiono-me diariamente meus passos. Reflito sobre os caminhos a seguir. E a qual conclusão chego?

Longe de querer dar conselhos. Não é essa minha praia. Quero apenas deixar algumas palavras aqui, meio dispersas, colocadas de forma a tentar gerar uma pequena reflexão. Outro dia, de forma meio carrancuda, me perguntaram se realmente valia a pena investir na edição de um livro. Sorri, quebrando o ar carrancudo da pessoa que me perguntou.

Apenas respondi que o que valia a pena não era o investimento na publicação em si. Mas a satisfação pessoal. O prazer de alcançar uma pequena meta, por mais diminuta que fosse. E foi isso que senti. Se contabilizasse toda a dor de cabeça pela publicação, toda correria para divulgação, todos os pormenores de se lançar um livro, todo o investimento monetário, abaixaria a cabeça. Não sairia do lugar. Enfim, me entregaria ao nada, me apagaria aos poucos. E se apagar aos poucos é morrer aos poucos.

Há certas rupturas nesta vida que nos fazem enxergar o mundo de outra forma. Perdi minha tia há menos de um ano. Fiquei com aquela sensação de estar sem chão. Seu sorriso, suas brincadeiras e seus beijos, sempre tão carinhosos, não podem ser mais sentidos. Tudo ficou em minha memória como as boas recordações que jamais me esquecerei.

Meu cachorro, Zequinha, não mais me espera no portão como costumeiramente fazia. Partiu, dormindo, para não mais sofrer pelas agruras de um tumor. Há pouco tempo, um conhecido também deixou a Terra mais vazia. Jovem, guerreiro, inteligente. Jornalista que começara a subir na vida justamente agora. Apenas 26 anos, com um amor pela vida que dava gosto. E num acidente de trânsito, eis que sua vida foi ceifada.

Nestes momentos, a dor é latente. A sensação de que a vida é um fio, um caminho que se entrelaça num nó chamado apagar. Não é fácil absorver tudo o que acontece. É um impacto muito forte, que bambeia as pernas. Ficamos sem ação, sem ar para respirar. E é aí que me questiono: o que vale a pena? Pelo o que realmente devemos lutar? Por que deixar de seguir com sonhos, se podemos lutar ao máximo para realizá-los?

É a partir destes impactos que os nossos verdadeiros questionamentos surgem. E é por eles que devemos aprender que a vida é uma caminhada, com vários caminhos. Uns bons, outros nem tanto, mas todos com surpresas. Basta apenas lutar pelo o realmente vale a pena. Não é fácil, mas também não é impossível.

Um comentário:

  1. Tudo vale à pena, se a alma não é pequena. Já dizia Pessoa. Interessante sua visão. Sem os sonhos somos nada, então porque se privar de realizá-los? Qualquer dia um bonde nos pega, e daí, de que serviu um livro não lançado?

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